domingo, 8 de dezembro de 2013

A Atividade Física como agente anti-stress

A atividade física reorganiza o cérebro e reduz a resposta ao stress, contribuindo para proteger as funções cerebrais normais dos efeitos nefastos da ansiedade. A conclusão é de um novo estudo desenvolvido pela Universidade de Princeton, nos EUA, que de debruçou principalmente sobre os benefícios da corridas. No âmbito do estudo, publicado na revista científica Journal of Neuroscience, os investigadores analisaram o comportamento de ratinhos submetidos a uma situação causadora de stress – o contacto com a água fria - tendo dividido os roedores em dois grupos e dando apenas aos animais de um dos grupos a hipótese de se exercitarem numa roda. Segundo os especialistas, o cérebro dos ratinhos que se exercitaram na roda durante seis semanas exibiu um pico na atividade dos neurónios que “desligaram” a excitação na região do hipocampo ventral, uma área do cérebro associada à regulação da ansiedade, no momento em que foram colocados numa situação de stress. 
Fonte: Revista Men's Health Outubro de 2013 pag 17 - edição 148

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Demência

A demência é caracterizada, segundo Andreasen (2004), como "doenças do envelhecimento" (...) por ser relativamente incomum nas pessoas com menos de 65 anos. Com a aumento da população idosa, tornar-se mais comum os casos de demência.  

Para além da devastação no âmbito da saúde mental do indivíduo, a demência causa transtornos emocionais e sociais na vida dos familiares. Para Andreasen (2004) "a marca típica de todas as demência é o défice da memória e da cognição que é acompanhado por um declínio geral da capacidade relacional ou funcional quer no trabalho quer na vida social".  

O DSMIV identifica os quatro elementos característicos existentes nas demências:  
  • Amnésia: perda da memória;
  • Agnosia: incapacidade de reconhecer objectos mesmo quando a percepção sensorial esteja intacta.  
  • Apaxia: diminuição da capacidade de desenvolver actividades motoras apesar de a função motora permanecer intacta.
  • Afasia: perturbação da linguagem.   
Entretanto, a existência dos sintomas acima indicados não significa que o idoso esteja a sofrer um tipo de demência. Os sintomas expostos podem ser causados derivados de confusão. Para Hill (2005) "na confusão haverá, por regra, perturbação da consciência (...) podendo durar horas e dias". A confusão no idoso pode ser derivada de uso ou abstinência de medicamento, intoxicação, infecções gerais, depressão, tristeza pela morte do cônjuge ou familiares, entre outros.  

A demência poderá eventualmente ter uma predisposição genética mas o seu aparecimento pode ser evitado ou retardado devido ao estilo de vida, alimentação saudável, desenvolvimento de actividades físicas e cognitivas e sobretudo o saber lidar com as emoções.  

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Idosos e família: Um desafio a conquistar

O estilo de vida da nossa sociedade contemporânea exige que passemos mais tempo no trabalho, e dediquemos menos tempo aos nossos velhos. Entretanto, como salienta Alves (1997, p. 234) “A família e a sociedade devem exercer influências positivas nos adultos idosos, de forma a proporcionar saúde física, psíquica e bem-estar social. O ambiente familiar é insubstituível para que o adulto idoso se sinta aceite e dignificado na sua pessoa.” 
 Em conformidade, White (2011, 204) aposta que "os idosos necessitam da auxiliadora influência das famílias. (…). Se animados a partilhar dos interesses e ocupações domésticos, isto os ajudará a sentir que não eixaram de ser úteis. Fazei-os sentir que seu auxílio é apreciado, que há ainda alguma coisa para fazerem em servir a outros, e isso lhes dará ânimo ao coração, ao mesmo tempo que comunicará interesse a sua vida". 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ansiedade, um mal desnecessário

Para Nelfild (2011, pag. 17) “A ansiedade manifesta-se por meio de angústia a propósito das incertezas. Estas incertezas podem estar perto ou distantes do futuro, e podem até nunca vir a acontecer”. Embora a ansiedade seja uma criação da nossa mente, os resultados podem ser dramáticos para nossa saúde e determinantes para a nossa qualidade de vida. Sofrer por antecipação não devia fazer parte do nosso dicionário. Um dos mais notáveis concelhos deixados por Jesus está registado em Mateus 6:27 no célebre sermão da montanha: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da vossa vida?” Uma reflexão sobre este pensamento de Jesus leva-nos de encontro à análise de Winston Churchill que afirmou certa vez: “lembro-me da história do velhote que disse no seu leito de morte que tinha tido grande quantidade de preocupações na vida, a maior parte das quais nunca chegou a acontecer”. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A ansiedade como fator de envelhecimento

Hallstrom e Mcclure (2000, pag.74) determinam a ansiedade deriva dos “fatores sociais”. A ansiedade ou o medo daquilo que possa acontecer é um dos elementos emocionais mais perigosos para a nossa saúde física e mental. Neufild (2011, pag. 15) relata uma lenda antiga onde “um viajante que certa noite encontrou com o Medo e a Peste a caminho de Londres, onde estes esperavam matar umas 10 000 pessoas. O viajante perguntou à Peste se esta se encarregaria dessas mortes todas. “Ah, não”, respondeu a Peste. “Eu, quanto muito, mato umas centenas. O meu amigo Medo matará o resto”. Desta forma alegórica vemos como sofremos por antecipação e como isto pode afetar a nossa homeostase. Tem sido grandemente destacado por psicólogos e terapeutas que grande parte das doenças que assolam a nossa sociedade tem origens na nossa mente.
Neufild (2011, pag. 16) classifica o medo e a ansiedade como elementos “muito vulgares”. No entanto estes “elementos” causam “apreensão, preocupações, falta de ar, transpiração, dificuldade de concentração e hipervigilância”. 
Os indivíduos que estão constantemente amedrontados por algo que eventualmente possa acontecer estão sempre apreensivos, não vivem o presente em sua plenitude nem têm capacidade para desfrutar os momentos que a vida lhes oferece. Estão a projetar toda a energia para uma eventualidade que poderá acontecer no futuro, deixando desta forma de viver o presente. Com isto sofrem por antecipação, e abrem consequentemente as portas da alma para a depressão e outras patologias se desencadearão como consequência óbvia.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O exercício físico e a saúde dos ossos

Resultado de imagem para exercício e a saude dos ossosNos dias actuais tem sido um dos maiores desafios da gerontologia conscientizar as pessoas de que o envelhecimento é tão-somente mais uma etapa da vida e como tal tem os seus lados positivos e negativos.

Embora entendamos que envelhecimento não seja sinónimo de doença, também necessitamos ser sensíveis à realidade do efeito que os anos vividos podem trazer. Como bem observaram os investigadores franceses  Thiebauld e Sprumont (2009, p:41) “a senescência é caracterizada pela perda de tecido ósseo que fragiliza o esqueleto”. A essa perda acentuada do tecido ósseo dá-se o nome de osteoporose. Com feito, os poros normais dos ossos de uma pessoa com osteoporose passam a ser muito maiores, de uma forma extremamente acentuada, resultante da perda da massa óssea. Com isso o esqueleto fica fragilizado.
Muitos estudos tão recentes como os de Thiebauld e Sprumont mostram que com o passar da idade é natural certa diminuição da condensação óssea. Entretanto esse fenómeno pode caracterizar-se com o surgimento excessivo de poros cada vez maiores, o que compromete o bom funcionamento de todo o esqueleto.
Embora muitos dos motivos que levam uma pessoa a adquirir osteoporose ainda estejam para serem descobertos, pesquisadores como Barreiros, Espanha e Correia (2006) compartilham a ideia que a inactividade física é um dos factores que apresenta uma grande contribuição para o surgimento dessa doença. Enquanto nos idosos fisicamente activos foi observado uma diminuição, menos acentuada, de massa óssea. Ou seja, mais exercício físico, menor a probabilidade de adquirir osteoporose.
Ter ossos saudáveis e resistentes sem exercício físico constante é como tentar fazer um bolo somente com farinha e açúcar, ou um castelo com areia seca.  
A grande questão que se coloca é, como posso fazer exercícios físicos com um rendimento tão baixo? Infelizmente o excesso de cuidado tem colocado muito dos nosso idosos inactivos. Para aqueles que nunca apreciaram o desporto, algumas actividades domésticas, feitas com segurança, poderão ser de grande auxílio na manutenção da saúde do idoso. Parece que as câmaras municipais de norte a sul do país estão cada vez mais conscientes da relevância do exercício físico e centenas jardins têm sido agraciados com máquinas para promover o desporto. Há também muitas zonas pedonais que foram recuperadas e tornam as caminhadas muito mais atractivas. Comece hoje mesmo a usufruir desses recursos. Equipa-se de roupa e sapatos confortáveis e não esqueça da sua garrafa de água. Caminhe na sua velocidade. O importante é mover-se. Daqui há algum tempo gostava de receber um relato daquilo que o exercício tem proporcionado na sua vida!

Nunca é tarde para começar a exercitar-se. Entretanto relembramos que antes de começar qualquer exercício físico consulte o seu médico e contacte o seu gerontólogo para saber quando será a próxima caminhada de grupo. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Vida plena


Qualidade de vida e bem-estar dos idosos

Por: Liliana Sousa, Helena Galante e Daniela Figueiredo

"As teorias do envelhecimento bem sucedido vêem o sujeito como pro-activo, regulando a sua qualidade de vida através da definicão de objectivos e lutando para os alcançar, acumulando recursos que são úteis na adaptação à mudança e activamente envolvidos na manutenção do bem-estar. Sendo assim, um envelhecimento bem sucedido é acompanhado de
qualidade de vida e bem-estar e deve ser fomentado ao longo dos estados anteriores de desenvolvimento.

De acordo com Victor et al  a qualidade de vida inclui um alargado espectro de áreas da vida. Os modelos de qualidade de vida vão desde a “satisfação com a vida” ou “bem-estar social” a modelos baseados em conceitos de independência , controle, competências sociais e cognitivas. Smith considera que o conceito de bem-estar mudou a partir de meados do séc XX. Até aí significava, apenas disponibiliade de bens materiais(comida, casa de banho, casa aceitável, acesso a serviços de saúde e de acção social, dinheiro suficiente). Actualmente relaciona-se, também condições com dimensões menos tangíveis (sentido de segurança, dignidade pessoal, oportunidades de atingir objectivos pessoais, satisfação com a vida, alegria, sentido positivo de si) A  noção de qualidade de vida também passa pela mesma alteração, engloba os recursos e o direito de “gozar” a vida". 

Fonte: Rev Saúde Pública 2003;37(3):364-71
Secção Autónoma de Ciências da Saúde da Universidade de Aveiro

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Novidades sobre os estudos referentes à doença de Alzheimer

"Cientistas descobriram como uma proteína implicada na doença de Alzheimer destrói ligações nervosas"
Por Ana Gerschenfeld 

Noticia do Jornal o Público, editada na totalidade
Pela primeira vez, investigadores mostraram que pequenos agregados de proteína beta-amilóide, o ingrediente de base das placas que se formam à volta dos neurónios na doença de Alzheimer, conseguem ligar-se fortemente a uma molécula receptora presente à superfície dos neurónios. Os seus resultados são hoje publicados na revista Science.

A proteína beta-amilóide, naturalmente presente no cérebro, tem tendência para formar aglomerados. Inicialmente pequenos, esses agregados acabam por formar placas ditas amilóides que "asfixiam" os neurónios e são uma das "assinaturas" inequívocas da Alzheimer.
Carla Shatz, da Universidade de Stanford (EUA), e colegas, tinham anteriormente estudado, em ratinhos, um receptor presente à superfície dos neurónios chamado PirB. E tinham descoberto que, quando activado por substâncias que se ligam a ele, favorece o enfraquecimento das sinapses (as estruturas de passagem dos impulsos nervosos de um neurónio para outro). Ora, como uma outra característica da doença é a perda maciça de ligações nervosas, os cientistas quiseram ver o que aconteceria, com uma estirpe de ratinhos geneticamente manipulados com particular predisposição para a doença de Alzheimer, se os seus neurónios fossem "despidos" do receptor PirB. Puderam constatar então que, efectivamente, esses ratinhos deixavam de apresentar sinais da doença tais como formação de placas amilóides ou perda de memória. Pelo contrário, os ratinhos cujo receptor PirB funcionava normalmente apresentavam sintomas patológicos de degradação mental, como era de esperar.
O que poderia estar a proteger os primeiros animais das suas nefastas mutações pró-Alzheimer? É aqui que entram em cena o autor principal do estudo agora publicado, Taekho Kim, e a sua teoria. Segundo Kim, o que poderia estar a acontecer é que a proteína beta-amilóide, ao ligar-se ao receptor PirB, estivesse a provocar o enfraquecimento das sinapses e a comunicação entre os neurónios acabava por se tornar impossível - e a memória por desaparecer.
As experiências seguintes mostraram que, efectivamente, os pequenos agregados de proteína beta-amilóide se ligavam fortemente ao receptor PirB. Entretanto, Kim descobriu que existe também um receptor equivalente nos neurónios humanos, chamado LilrB2, igualmente capaz de se ligar à beta-amilóide.
Restava perceber como é que PirB fazia para enfraquecer as sinapses. Mais experiências, desta vez a comparar os cérebros de ratinhos com e sem receptor PirB (mas todos eles propensos à doença de Alzheimer), permitiram constatar
que, nos primeiros, a actividade de uma enzima, a cofilina, era muito mais elevada do que nos segundos. O mesmo se verificou, aliás, na autópsia ao cérebro de doentes com Alzheimer, quando comparados com os de pessoas que não tinham a doença na altura da morte.
A cofilina actua partindo aos bocados uma outra proteína, a actina, que é por sua vez essencial à manutenção da integridade das sinapses. E de facto, estes cientistas mostraram que a ligação dos agregados de beta-amilóide ao receptor PirB, à superfície dos neurónios, acarreta, dentro dessas células, alterações bioquímicas na cofilina, reforçando assim a acção destruidora de sinapses da actina. Todas a peças encaixavam perfeitamente.
"O nosso estudo é um dos primeiros a explicar como a proteína beta-amilóide pode conduzir à perda de ligações cerebrais através da ligação a um receptor de superfície das células nervosas", disse ao PÚBLICO Carla Shatz. "Isso é novo - como também a descoberta de um receptor equivalente no cérebro humano." Os resultados sugerem, em particular, "que a doença de Alzheimer começa a manifestar-se muito antes de a formação de placas amilóides se tornar óbvia", salienta a cientista - e poderão abrir o caminho a tratamentos mais eficazes nas fases precoces da doença.
Conhecem-se outros receptores da proteína beta-amilóide no cérebro. Mas ainda nenhum deles foi associado a mecanismos específicos de patologia celular, lê-se num comentário na mesma edição da Science. "Os novos resultados são provavelmente uma nova e importante peça do puzzle que nos permitirá perceber totalmente a doença de Alzheimer", diz-nos Bart De Strooper, do Instituto de Neurociências e Doença de Lovaina (Bélgica) e um dos co-autores daquele comentário. "Existem outros receptores da amilóide e a questão é agora a de saber como cada um dos diversos receptores contribui para a patologia."
Fonte: Jornal o Público online  - 
Publico Ciência. Data da visita ao site 25/09/2013 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Envelhecimento na Europa

"Preve-se que, até 2050, o número de pessoas com mais de 65 anos na UE cresça 70% e o número de pessoas com mais de 80 anos aumente 170%. Um dos principais desafios do nosso século será, pois, satisfazer a maior procura de cuidados de saúde, adaptar os sistemas de saúde à nova realidade e manter viáveis estes sistemas numa sociedade com menos população activa.
O esforço principal consistirá em promover o envelhecimento saudável dos cidadãos europeus. Viver mais anos em boa saúde significa melhor qualidade de vida, mais autonomia e a possibilidade de se manter activo. Quando a população envelhece com saúde, os sistemas de saúde são menos solicitados e há menos casos de reforma por invalidez, o que é muito positivo para o crescimento económico da Europa.
A UE colabora activamente com os Estados-Membros para promover o envelhecimento saudável, através de iniciativas que visam melhorar a saúde dos idosos, da população activa, das crianças e dos jovens e prevenir as doenças ao longo de toda a vida. Além disso, a UE desenvolve acções destinadas a melhorar as condições de vida das pessoas idosas".
Fonte: Saúde UE - Comissão Européia

O relacionamento conjugal e o envelhecimento


domingo, 15 de setembro de 2013

A Saúde e a Informação

Anne  Squire
“As pessoas idosas têm de sentir-se ouvidas, respeitadas e perceber que se age a partir dos seus pontos de vista. (…) Há uma evidência crescente dos benefícios da prestação de informação de saúde às pessoas idosas e de as envolver na promoção da sua saúde. Existe cada vez mais a certeza de uma ligação positiva entre pessoas idosas que participam nos seus cuidados de saúde e o aumento da sua satisfação e melhoria de saúde e bem-estar. Tomar decisões e opções acerca da saúde é uma tarefa difícil para algumas pessoas idosas. É por esta razão que a comunicação eficaz é vital tanto para dar informação como para a tomada de decisões.”

In”Saúde e bem - estar para Pessoas Idosas”