quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Idoso e o Cuidador

Assumir a responsabilidade de ser cuidador informal é promover a saúde biopsicossocial do idoso e promover o seu conforto físico, emocional e financeiro. Bem como fomentar o fortalecimento do convívio familiar intergeracional na troca de valores, conhecimentos e experiências de vida e assegurar o fortalecimento do círculo de amizades dos mais velhos através da manutenção do convívio social.


Não menos importante é a necessidade a manutenção da saúde física, mental e social do cuidador. Aos olhos da Gerontologia Social, tanto o idoso como o cuidador são pessoas que merecem todos os cuidados necessários na promoção da homeostase, não somente porque ambos estão a envelhecer, mas como seres humanos têm direito à dignidade. E o direito à dignidade de um não pode de maneira alguma sobrepor ao direito à dignidade do outro.

A fim de que o cuidador possa ter condições para desempenhar o seu papel em promover um envelhecimento bem-sucedido é extremamente necessário que haja condições físicas, salutares, económicas e equipamentos eficientes para o bom desempenho de suas funções. Quaisquer interferências nestes princípios básicos gerontógicos e sociais podem por em risco o bem-estar do cuidador e consequentemente da pessoa idoso que está a receber os cuidados.

Entende-se que, embora estejamos a viver no século da informação, cabe aos gerontólogos e outras entidades competentes orientar e informar idosos e cuidadores informais da grande responsabilidade da missão que é cuidar dos nossos pais. A cultura, o sentimento de obrigação, os valores sociais herdados, a consciência, não nos qualifica a ser cuidadores. É necessário desenvolver um espírito de missão, de amor, de reconhecimento e humanidade para saber lidar com as situações mais extremas que esta missão possa apresentar. Não obstante cabe aos idosos aceitar os desafios da sua nova etapa da vida que é a velhice e abraçar esta situação com todas as suas vantagens em desvantagens através do processo de adaptação.

A adaptação corresponde em aceitar as mudanças físicas, sociais e políticas no paradigma da pessoa idosa. Está relacionada com valores e poder relativamente naquilo que ainda se pode controlar e o que não se controla mais e finalmente o desenvolvimento da sabedoria e da maturidade espiritual. Todos estes valores estão relacionados com a delegação de poderes, o empowerment, que é transmitido pelo gerontólogo ao idoso e ao cuidador com a finalidade de promover saúde e bem-estar para ambos. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Geronto - Transcendência


A geronto-transcendência pode ser definida como a capacidade do idoso de elevar-se acima das dificuldades, dos obstáculos, do materialismo e de tudo que é superficial e colocar-se numa posição mais elevada mas ao mesmo tempo ter a humildade para saber ouvir e respeitar as pessoas à sua volta. É a capacidade de entender que na balança do juízo o espiritual ou aquilo que transcende pesa mais que o material e o egoísmo. Como disse Ellen   White (2009) “ sempre que a vida de Deus estiver no coração dos homens, ela fluirá para outros em amor e bênções.  E como mencionou Saint-Exupéry (1987), com a geronto-transcendência, podemos “ver em cada coisa uma vida interior”. Mas como é que desenvolvemos essa capacidade de ver para além daquilo que é natural do ser humano?

Cosaert (2011) conta a experiência que “ Alguns produtores de batata decidiram guardar as maiores batatas para si mesmos e plantares as menores batatas, como sementes. Depois de algumas colheitas insatisfatórias, eles descobriram que a natureza havia reduzido suas colheitas de batata ao tamanho de berlindes. Com esse desastre, aqueles os agricultores aprenderam uma importante lei da vida”. Cosaert (2011) postula ainda que “não lhes era possível ter as melhores coisas da vida para si próprios e usar as sobras como semente. A lei da vida decreta que a colheita reflecte o que se planta. “Num outro sentido, plantar batatas pequenas ainda é uma prática comum. Tomamos as grandes coisas da vida para nós mesmos e plantamos as sobras. Esperamos que, por alguma estranha reviravolta das leis espirituais, nosso egoísmo seja recompensado com altruísmo”. Nós só colhemos aquilo que plantamos. O mesmo ocorre na geronto-transcendência. Hoje estamos a desenvolver o tipo de idoso que seremos amanhã e colheremos o fruto do nosso desempenho. 

Bibliografia: 
Cosaert, C.(2011)" O evangelho em Gálatas" Lições da Esc. Sab.4º Trimestre 2011. Ed. Pub. Servir. Sabugo 
White, E. (2009)"O caminho para a esperança" 1ª Ed.Pub. Servir. Sabugo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Desenvolvimento da Temperança

A temperança pode ser designada como moderação. O Dicionário de Sinónimos e Antónimos da língua portuguesa denomina temperança como “sobriedade”. Segundo este parâmetro o indivíduo deve estar constantemente sóbrio para ser capaz de tomas decisões ao longo do dia, principalmente no que se refere ao seu estilo de vida. 


A temperança deve ser exercida em todos nos nossos actos e de uma forma especial no que si refere à saúde. Mesmo nos “bons hábitos saudáveis” deve-se exercer a temperança a fim de tomar o melhor proveito de todas as situações. Contudo a temperança não é uma palavra bem-vinda nos meios sociais. Para Handysides, Kuntaraf at al (2010) a “temperança parece por vezes ser uma palavra fora de moda”. A temperança pode ser utilizada na escolha e na diversidade dos alimentos, nas actividades físicas, na ingestão de água, no sono e em todos os outros mecanismos que contribuem para na promoção ou diminuição da homeostase.

O tabaco, o álcool e o excesso de medicamento são alguns dos elementos que mais danos causam à saúde do ser humano. Tanto o fumador activo como o fumador passivo são sérios candidatos a sofrerem doenças relacionadas com o coração, cancro e outros males. Handysides, Kuntaraf at al (2010) informam que “nesta primeira década do século vinte e um, o álcool tem estado implicado em cerda de 1,8 milhões de mortes por ano; isto representa cerca de 3,2% do total de mortes em todo o mundo”. A temperança é mais que evitar o uso de álcool, tabaco, drogas e excesso de trabalhos ou actividades físicas é o perfeito equilíbrio na dosagem daquilo que comemos, bebemos ou fazemos pois até as boas coisas feitas em demasia podem ser prejudiciais.

Em conformidade com este princípio Ellen White (2002) afirma que “a verdadeira temperança nos ensina a dispensar inteiramente todas as coisas nocivas, e usar judiciosamente aquilo que é saudável”. O oposto de temperança então é tudo aquilo que rouba a  nossa capacidade de estar constantemente sóbrios. Isso inclui, os excessos na alimentação, no uso de medicamentos, no desporto, entre outros. Em outras palavras, tudo aquilo que é excesso e que prejudica a nossa boa funcionalidade e o uso da razão. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O Idoso, as comemorações de Dezembro e a Solidão

Nessa época do ano em que corremos de um lado para outro à procura de mais um presente para oferecer, mais uma sobremesa para a ceia de natal, mais uma roupa ou um sapato novo, mais um cartão para enviar… está muito bem disfarçada (ou não) a solidão. Bonino (2007, p:145) define a solidão da seguinte forma: “sensação penosa de não estar em sintonia com os outros, de não se ter pessoas com quem falar, partilhar emoções, mostrar a própria intimidade e pedir ajuda. É o sentimento de estranheza que se pode ter não apenas no meio de uma multidão anónima, mas também infelizmente entre as quatro paredes da própria casa no meio das pessoas que nos são familiares.”   

Durante estas semanas que se aproximam todo o mundo está em festa. Os cristãos comemoram o Natal, os hindus celebram o Pancha Ganapati e o Bhau-beej, o judeus celebram o Hanukkah, os muçulmanos da Pérsia festejam o Yalda. Entretanto em meio a tantas festividades é precisamente nessa época do ano em que centenas de idosos são abandonados nos hospitais de todo o mundo para que os familiares possam ter tempo para participar de algum tipo de comemoração.

Contudo a solidão mais dolorosa é aquela que o idoso sente no próprio lar, na mesa repleta da ceia, longe das conversas dos familiares e do distanciamento causado pelas gerações. Todas as culturas estão a celebrar a “Luz” enquanto deixam os seus idosos nas trevas da solidão. Nesses dias de festa lembre-se que alguns minutos de atenção podem ser a melhor prenda que se pode oferecer àquela pessoa cujo peso da idade se faz sentir na face vincada pelo tempo e no corpo arcado pelos anos vividos. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O conceito de Paulo Freire aplicado à diversidade da Gerontologia Social

O conceito fundamental do método Paulo Freire passa por três elementos essenciais:
  •          Investigar;
  •          Tematizar;
  •          Problematizar.

O processo de investigação consiste no educador conhecer a realidade de vida diária do educando, suas qualificações profissionais, cultura, medos e sonhos. Freire (1977) evidenciou a necessidade do diálogo através da “roda de cultura”e salientou a sua necessidade na estruturação do conteúdo programático da educação. O mesmo autor assegura que “a educação autêntica não se faz de «A» para «B» ou de «A» sobre «B» mas de «A» com «B», mediatizados pelo mundo.” Freire (1975). Assim Freire postula que no processo da educação o educador também aprende com o educando.

A partir da investigação o educador estará apto a utilizar as palavras que fazem parte do dia-a-dia do educando. O processo de tematização consiste em levar o educando a conhecer as palavras que são vivenciadas na sua comunidade local, no seu trabalho e afazeres.

Na problematização, é o momento de crescimento tanto do educando como do educador. Freire (1985) postula que “a tarefa do educador, então, é a de problematizar aos educandos o conteúdo que os mediatiza, e não a de dissertar sobre ele, de dá-lo, de estendê-lo, de entregá-lo, como se tratasse de algo já feito, elaborado, acabado, terminado”. Como o educando não tem as respostas feitas, é levado a questionar sempre. 

O modelo de alfabetização desenvolido por Freire está intrincesamente ligado ao empowerment. Por esse motivo pode ser aplicado ao desenvolvimento dos idosos nas mais variadas áreas. Esse método pode ser utilizado e adaptado na instrução dos idosos desde o campo da info-inclusão até às actividades lúdicas, passando pelo campo das emoções, dos conflitos consigo próprio e com outros até às questões ralacionadas com a finitude quando se questiona  e nega a doença, onde aprende-se a aceitar a enfermidade e a questinar "porque não eu?" em vez de "por quê eu?". Nesse aspecto o Gerontólogo Social tem ferramentas para abrir novos horizontes que poderão dar ao idoso mecanismos para que ele encontre a sua forma de encontrar-se.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Trabalhar a noção do corpo no idoso


Toda a nossa forma de comunicação com um mundo exterior está intimamente ligada com o nosso corpo. Para que esta comunicação seja feita de forma adequada, é necessário a “consciência, o controlo e a organização do próprio corpo”. Vayer (1977 pag. 71). Entretanto a organização corporal inicia-se desde muito cedo no bebé, através da “experiência visceral.” Fonseca (1972 pag. 1). O passo seguinte do desenvolvimento do bebé com o mundo é feito através do processo designado por motricidade estática, ou seja, a cópia por imitação do meio envolvente, em particular da mãe. “Na exploração estática, a motricidade apresenta um aspecto global, anárquico e inadaptado, traduzindo automatismos primitivos e exteriorizações reflexas, que se vão perdendo progressivamente, para dar lugar mais tarde a uma orientação do movimento. A boca é o meio de relação com o exterior, todos os objectos têm de ser “inspeccionados” pela boca (espaço bucal de Stern).” Fonseca (1972 pag 4).

“A marcha bem com o desenvolvimento auditivo, a mímica, o simbólico e o grafismo sãos os dados indispensáveis à formação da inteligência abstracta”. Fonseca (1972 pag. 5) Assim para que o idoso  mantenha a sua qualidade de vida é essencialmente necessário a manutenção desse conjunto de elementos diarimante naqueles que estão em idade avançada. Essa manutenção pode ser desenvolvida de uma forma dinâmica e prazerosa. 

Segundo Vayer (1977 pag. 71) “O corpo é a referência permanente”. O indivíduo está constantemente a desenvolver esta função. A noção do corpo “encontra-se permanentemente em evolução, não apresenta portanto, qualquer limite de maturação situada no tempo, ela é uma estrutura inacabada e que se enriquece durante toda a vida…” Fonseca (1972 pag. 4). 

A noção do corpo é uma dialéctica entre a motricidade e o meio envolvente. Ela é de vital importância para o bom funcionamento da comunicação, da tonicidade, do equilíbrio, da  lateralização e das praxias. Pierre Vayer define a noção do corpo como uma tomada “da consciência de si próprio, dos elementos corporais, da respiração, da coordenação corporal e do equilíbrio corporal”. Vayer (1977 pag. 71) “Como um mapa, a noção do corpo é indispensável «para navegar» no espaço.”Fonseca (2007 pag. 197) Para o bom desempenho de todas as actividades psicomotoras é necessário que o indivíduo tenha plena noção do corpo que está relacionada com a “noção do tamanho e de peso, com a informação do envolvimento, dos outros, com a informação da gravidade, com a lateralização relativa da situação, com os movimentos anteriores (engramas) armazenados, numa palavra, com todas as informações necessárias para produzir acções intencionais”. Fonseca (2007 pag. 197). Em suma, a noção do corpo é “o resultado de uma integração sensorial cortical, que participa na planificação motora de todas as actividades conscientes, pois por meio dela atingimos a matriz espacial das nossas percepções e das nossas acções.” Fonseca (1985  pag. 285).  

Como teste para verificar a capacitação da noção do corpo é utilizado o sentido cinestético. Para Cadima e altri (1985) A cinestesia é baseada em vários tipos de “estímulos sensoriais (musculares, tendinosos, articulares e cutâneos)”. A cinestesia que avalia a capacidade de detectar o grau de conhecimento integrado que existe seu corpo.” Fonseca (2007 pag. 202). Estes testes são basicamente feitos através de toques no corpo que devem ser identificados, cumprimento de ordens verbais relacionadas com direito-esquerdo, conhecimento do próprio corpo com olhos vendados ou fechados e imitação de gestos. Cumpre aos gerontólogos desenvolver meios para aplicar essas ferramentas  no âmbito da promoção do envelhecimento saudável e bem sucedido. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A saúde e a doença no contexto da Gerontologia Social

Por Luciano da Silva e Sabrina Mestre

Para Andrade (2002, pag. 43) os recursos essenciais relacionados com a saúde são “prevenir, amenizar e curar doenças” enquanto Paúl e Fonseca evidencia o trabalho de Radly que analisa a doença numa perspectiva mais elucidativa onde a palavra “doença” ganha uma conotação no contexto da língua inglesa. O mesmo tipo de avaliação foi determinado por Good, Kleinman e Zempléni (apud Ramos 2004: 103) como segue:
  • *      Disease: “Patologia definida pela medicina”; Está classificada como a dimensão biomédica, ou a realidade biológica de uma alteração objectivamente verificável no organismo.
  • *          Ilness: “Experiência do paciente ou de quem sofre”; traduz a experiência individual do doente como consequência ao seu estado actual.
  • *      Sickness: “Estado social da pessoal atingida”. Tem uma sobrecarga psicossocial pois representa a condição de doente que o indivíduo adquire no grupo social.

Os autores salientam que “saúde e doença não são opostos dinâmicos”. Com isso é apresentado que só valorizamos a nossa saúde a partir do momento em que estamos doentes. A forma de estar do indivíduo vai ditar que relevância que é dada sobre a saúde e a doença. Não obstante é apresentado que embora “não nos culpamos pelas nossas doenças” temos a responsabilidade de continuar saudáveis.

O que pode permanecer como base de interpretação não é somente o modelo (disease, sickness ou illness) ou o evento (a presença da doença), ou, ainda, a interacção (os significados imediatos ao estoque de conhecimento ou aqueles negociados a partir da emergência da doença). Nem mesmo é um somatório de tudo isso. A lógica da análise social sobre a complexidade da experiência da enfermidade está em outro percurso metodológico: são as estratégias ou bricolages que se formam entre pré-textos, textos, eventos e significados expressos nos mais diversos suportes discursivos (linguísticos e corporais), comunicados e negociados socialmente.

No âmbito das práticas relacionadas com a promoção da homeostase e a análise na verificação da doença é apresentada uma forte tendência da promoção da saúde entre as classes sociais mais favorecidas financeira e culturalmente. No que se refere às crenças sobre o que é saudável e o que é prejudicial, os autores informa que não existe uma fundamentação coerente e segura.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Os Idosos e a Água

Por Francisco Lemos in "Os Remédios de Deus"


O mecanismo que dispara a vontade de beber água pode não funcionar plenamente nos idosos. Eles começam a sofrer pela falta do precioso líquido. Uma das consequências é a queda de pressão. Isso faz com que o fluxo de sangue que passa pela cabeça também diminua, impedindo uma completa oxigenação do cérebro. A pessoa fica lenta e pode sofrer de confusão mental. 

Em seu livro A ciência do bom viver, pag. 236,  Ellen White postula que " a aplicação externa da água é um dos mais fáceis e satisfatórios meios de regular a circulação do sangue. Um banho frio ou fresco é excelente tónico. O banho quente abre os poros, auxiliando assim na eliminação das impurezas. Tanto os banhos quentes como os neutros, acalmam os nervos e equilibram a circulação". 

Circulação: para quem tem problemas de pés e mãos frios, aconselha-se um banho matinal, rápido e frio. À temperatura abaixo do nosso corpo, a água induz a uma reação de defesa do corpo, promovendo um aumento de circulação na pele, exatamente onde há pouca circulação.Esse banho é especialmente indicado para pessoas com tendência à pressão baixa. 

Calmante: A água morna, um pouco mais quente que o corpo ou mais ou menos à temperatura corporal, age como calmante e relaxante dos músculos endurecidos pelas tensões diárias. 


  

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Plano de Acessibilidade Pedonal em Lisboa

Fonte: newsletter MovLisboa nº 3 Abril de 2011 pag 8.
Editorial Fernando Nunes da Silva

Resultado de imagem para acessibilidade portugalO que dizem os idosos sobre a acessibilidade aos passeios, passadeiras e transportes públicos na Cidade de Lisboa? Eles estão a ser ouvidos pelo Pelouro da Mobilidade da CML. De facto, no âmbito do Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa, teve lugar uma sessão de auscultação intitulada  “As  Ruas  Também  São Nossas”,  a  qual  reuniu  um conjunto  de  cerca  de  duzentos munícipes  com idades iguais ou superiores a cinquenta e cinco anos. Nesta sessão foram convidados a partilhar a sua experiência pessoal no uso de passeios, passadeiras e transportes públicos.

Os  resultados  dão-nos  uma  noção  clara  dos  acidentes sofridos, e do medo e incómodo frequentemente sentido pelos participantes: 55% dos presentes já caiu na calçada. Constata-se que, no seu estado actual, a  rede de percursos pedonais não proporciona as devidas condições de segurança e conforto a grande parte dos lisboetas mais idosos. Com o envelhecimento demográfico, este problema irá afectar um número cada vez maior de pessoas, e uma percentagem cada vez maior da população, ameaçando também  a  sustentabilidade  económica  e  social  na  Cidade.

Esta sessão de consulta foi mais um passo na elaboração do Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa, através do qual a CML está a definir medidas para dar  resposta a muitas das questões-chave apontadas pelos participantes, nalguns casos em articulação com entidades externas  como  empresas  de  transportes  ou  associações  de pessoas com mobilidade condicionada. (...)


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

É possível vencer o stress

No âmbito do envelhecimento humano é importante saiber lidar com situações de stress e encontrar soluções para o evitar. O Dr. Soly Bensabt, especialista em stress, apresenta a sua receita em cinco etapas para previnir e combater o mal causador de tantas doenças que assolam o nossa planeta e ceifa a vida de milhares:  ("  ") 
  1. Tome a sua vida na mão: Nesta primeira etapa o Dr. Bensabat aconselha que pratiquemos actividades de jardinagem com os idosos. Tendo sempre em vista a capacidade de cada um. A experiência do Dr. Bensabat demonstrou que depois de um ano e meio de experiência com um determinado grupo de idosos  as pessoas que participaram semanalmente dessa actividade estavam "mais alegres e activas que as outras e muito mais espantoso, a taxa de mortalidade era duas vezes menor, visto que, à partida, a saúde dos dois grupos era idêntica". 
  2. Adopte um raciocínio interno: A segunda etapa está relacionada com o controlo da situação. É necessário entender que somos superiores aos problemas ou a quais quer situações de pressão. Para Bensabat " os psicólogos sociais chamam «controlo interno» à tendência que a pessoa tem para pensar que está na origem das situações que vive..."
  3. Evite a ira: As investigações de Bensabat afirmam que "a agressividade, a impaciência, verbalidade explosiva e um sentido crónico de urgência do tempo" são elementos fundamentais para o desenvolvimento de doenças cardio-vasculares.  Bensabat cita Barefoot para confirmar que "as pessoas que apresentam um elevado nível de hostilidade têm uma taxa de doença coronária cinco vezes mais elevada e uma taxa de mortalidade seis vezes maior do que as pessoas mais calmas. 
  4. Rodeie-se de amigos: Para Bensabat "cultivar relações calorosas tem, com resultado, alargar o círculo de amigos" como meio de "diminuir o impacto do stress no indivíduo. Isso acontece porque compartilhamos com os nossos amigos os nosso aborrecimentos e o que aparentemente era um grande obstáculo passa a tornar-se insignificante com o diálogo e encontra-se com mais facilidade as soluções para cada situação. 
Fonte: Revista Sinais dos Tempos ano XVII - Nº 58

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O stress como agente causador da doença

Falar sobre doença deve ser impreterivelmente questionar sobre os diversos factores de ordem social, cultural, ambiental e estilo de vida de uma pessoa. Todos estes elementos, em conjunto, podem ser exemplificados no conceito de Figueiredo (2007, pag. 155) onde é feita a “abordagem sociológica do stress” no âmbito da saúde em que engloba o comportamento do indivíduo ao longo da vida e a repercussão que o stress pode ter na saúde e na doença do mesmo. 

A investigação de Ted Joanen relativamente à experiência observada com pelicanos na reserva natural de Rockfeller, USA traz grande revelação quanto à doença desencadeada pelo stress. Nesta reservação verificou-se que os pelicanos castanhos do Golfo do México morriam em grandes quantidades. Após investigações exaustivas foi descoberto que os pelicanos tinham, ao longo da vida, ingerido pesticidas agrícolas encontrados nos peixes. O que não era entendido era o facto de que só recentemente os pelicanos começaram a morrer devido à intoxicação de algumas dezenas de meses. Foi reconhecido que o factor que levava os pelicanos à morte era derivado do stress. 

Quando as aves comiam os peixes contaminados, os pesticidas acumulavam-se nos tecidos adiposos e não lhes faziam mal. Este facto passou a ser parte do ciclo de rotina da vida dos pelicanos até que a quantidade de aves quadruplicou e com o aumento da população os alimentos passaram a ficar escassos. Assim, as aves tinham dificuldade em encontrar alimentos para as suas crias e isso desencadeou uma situação de stress. Como havia pouca alimentação, o corpo absorvia a energia acumulada na gordura, queimando o tecido adiposo em reserva. O veneno que era depositado na gordura dos pelicanos de forma inofensiva, agora chegava em doses maciças ao fígado e posteriormente ao cérebro, provocando desta forma a morte. Silva (2009, pag17) conclui afirmando que “o mesmo pode passar com o homem. Cada vez que adoecemos, o stress desempenha um papel importante. Ele pode ser, por sua vez, causa ou resultado da doença”.

Paúl, Fonseca e Good (1994) também entende que a doença não deve ser analisada num único aspecto. Mendonça at al (2002) defende que se deve “assegurar a pluralidade de pontos de vista” no contexto dos factores psicossociais relacionados com a doença. Somente assim poderemos cuidar do corpo como um todo e não ver o doente como um mero consumidor de fármacos. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quando o acto da comparação entre idosos é prejudicial ou beneféfico

No livro " A Arte de Envelhecer" Claude Olievenstein postula que “há velhos e velhos, de vários níveis e de várias idades”. Este facto deve ser seriamente tomado em consideração por todos os que lidam com idosos, quer familiares, cuidadores ou outros profissionais. Assim como as crianças são indivíduos únicos e necessitam de uma aprendizagem diferenciada para um melhor desenvolvimento cognitivo, muito mais deve esta realidade ser vivenciada nos idosos uma vez que têm um longo percurso no que tange à bagagem de cultura e de desenvolvimento do carácter pela experiência que a vida lhes proporcionou. Desta forma entende-se que o idoso, como um indivíduo, é digno de um tratamento personalizado pois trata-se de um ser único e singular.

Não obstante, embora esta singularidade seja incontestável, pela nossa prática quotidiana podemos observar a existência de alguns hábitos comuns entre aqueles que já entraram na fase da retrogénese. Em todas as etapas da vida o indivíduo segue um padrão de referência. As crianças comparam o seu crescimento entre si, os pré-adolescentes comparam o desenvolvimento do seu corpo, os jovens comparam a quantidade de parceiros sexuais ou namoros e os mais adultos comparam a sua capacidade de procriar, a sua casa e o carro. Segundo esta linha de pensamento, o fenómeno da comparação é inerente ao ser humano. Se o mesmo não ocorresse entre os idosos poder-se-ia arriscar dizer que nesta etapa da vida o indivíduo começa a perder a sua humanização.

Os idosos de uma forma muito peculiar exercem a sua capacidade de observação e comparação com grande mestria. Às vezes este acto é feito de uma forma inocente, mas também pode ser acutilante, mesquinho e até mesmo ofensivo. Quantas vezes não se tem relatado discussões e insultos onde haja aglomerações de idosos e tudo isso tendo como causa inicial uma comparação que gerou inveja!

Este tipo de sentimento pode causar danos muito mais severos para um envelhecimento saudável do que se possa imaginar. Segundo Barrows (2010, pag. 35) se o sentimento da inveja não for definitivamente eliminado da personalidade do indivíduo, ela poderá reaparecer quem qualquer estágio da vida, inclusive na velhice, e “voltará a emergir em período de stress e terá de ser objecto de uma nova elaboração para que os sentimentos criativos e positivos possam vir a prevalecer”.

De acordo com Melgosa (2010, pag. 9) “os estados emocionais negativos, como ódio, preocupação, receio, raiva e ciúmes, provocam reacções fisiológicas imediatas.” Estas reacções desencadeiam mal-estar que por sua vez tornam-se em perturbações cardíacas, digestivas e psicológicas. Assim conclui-se que o acto de compararmos com os outros só é prejudicial quando se torna uma obcessão ou quando isso nos leva a afectar de tal ponto que a nossa auto-estima seja reduzida.