sexta-feira, 27 de julho de 2012

O desafio da Mobilidade Motora em Portugal


Baseado nas informações do Instituto Nacional de Estatística, é possível fazer uma leitura do recenseamento de 2001, e analisar a condição da dificuldade de mobilidade da população portuguesa, especialmente dos idosos, como se vê no quadro que se segue:
  
Tabela 1 – População total e com deficiência e taxas de deficiência por faixas etárias
Faixa etária
População
Percentagem da população com deficiência motora
0 a 15 anos
1 656 602
2,2%
16 a 24 anos
1 352 106
3,5%
25 a 54 anos
4 396 336
5,2%
55 a 64 anos
1 121 137
9,5%
64 anos ou mais
1 702 120
12,5%
Pop. residente
10 356 117
6,1%
(Fonte INE Censos 2001, Doc. de trabalho PAIPDI)


Uma análise superficial ao quadro revela a flagrante realidade da população portuguesa no âmbito da imobilidade motora em relação com a faixa etária. O índice de pessoas com deficiência motora aumenta flagrantemente com o aumento da idade. Aponta que 6,1% da população portuguesa residente no continente e ilhas tem deficiência motora, desse grupo 12,5% têm idade igual ou superior a 65 anos, o que mostra que o maior índice de deficiência está na população idosa. Com o aumento e o envelhecimento da população que será revelado no censo de 2011 é de se esperar que o número de idosos com deficiência tenda a aumentar.
As indicações acima demonstram a necessidade que temos, face aos desafios, em promover acessibilidade a idosos, tendo em vista que 12,5% dessa população tem dificuldade em locomover-se.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Educação no Contexto do Envelhecimento


Por Luciano da Silva e Margarida Monteiro
O ato de promover a educação das camadas mais velhas da sociedade está relacionado com o desenvolvimento de uma gerontologia educativa. Glendenning (apud Veloso 2011) traça o desenvolvimento dessa vertente da Gerontologia no ano de 1976 por Howard, professor da Universidade do Michigan.

Para Anaut (2005, p: 123) “a população idosa tornou-se nomeadamente um dos grupos de investigação mais instrutivos […]”. Assim o idoso dos nossos dias passou a ser visto como parte integrante de um grupo com um grande potencial. Este grupo entretanto tem as suas características, necessidades e fragilidades próprias.

Tornou-se obrigatório criar e desenvolver meios para proporcionar aos idosos melhor qualidade de vida e promover um modelo de envelhecimento onde sejam garantidas condições de integração social e que potenciem um envelhecimento saudável em todos os seus aspetos.

A Quinta Conferência Internacional sobre Educação de Adultos, de 1997, que teve lugar na cidade de Hamburgo declara: “é importante que (esses adultos idosos) tenham oportunidade de aprender em igualdade de condições e de maneira apropriada. As suas capacidades e competências devem ser reconhecidas, valorizadas e aproveitadas”. Segundo Terra (2009, p:5) “educação para os idosos são programas educacionais voltados atender às necessidades da população idosa, considerando as características desse grupo etário”.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Novo Conceito de Envelhecimento


Por Luciano da Silva e Margarrida Monteiro

No âmbito do reconhecimento do novo paradigma da velhice, sendo uma realidade nos dias atuais e que continuará a ser cada vez mais nos anos vindouros, Osório e Pinto (2007 p:216) apresentam o quadro comparativo do idoso do passado com o idoso de hoje e do futuro, como segue:  

O paradigma do envelhecimento produtivo na prática gerontológica
Perspetiva tradicional
Perspetiva do envelhecimento produtivo
Nihilista
Esperançoso
Deterioração
Crescimento e desenvolvimento
Incapacidade
Saúde e bem-estar
Institucionalização e dependência
Autonomia, independência e interdependência
Forte resistência à mudança
Ajustamento à mudança
Incapaz de aprender
Estimulação intelectual
Preparação para a morte
Desfrutar o dia-a-dia
Vulnerabilidade/passividade
Empowerment
Qualidade de vida (uma dimensão)
Qualidade de vida (multidimensional)
Desapego social
Envolvimento social
Isolamento comunitário
Integração comunitária
Negação e evitamento de desafios
Enfrentar desafios
Necessidades, défices, perda de oportunidades
Força, habilidades, desejos, oportunidades
O passado e o que este poderia ter sido
O futuro e o que ele ainda poderá representar
O microambiente
O macro ambiente
Comportamentos “apropriados à idade”
Comportamentos neutrais para a idade
Uso de um stock terapêutico
Melhoria terapêutica
Estilo de vida sedentária
Ativismo e atividade
Receber
Dar, prestar voluntariado, trocar











A sociedade está em mudança e, como aborda Aken (2009), a esperança de vida mudou consideravelmente em todo o mundo. Isto inclui não somente os países desenvolvidos como também os países mais pobres. Esse crescimento da esperança de vida aumenta a taxa da população com idade superior a 65 anos, mostrando que essa realidade está longe de ser invertida como sugere Aken (2009). Nesse sentido, a Gerontologia Social deve fomentar meios para que os idosos estejam capacitados a adaptarem-se ao novo conceito de um envelhecimento focado no bem-estar consigo próprio, com o micro e macro ambiente social. Para tal torna-se evidente a necessidade emergente de trabalhar na promoção da educação dos mais velhos a fim de equipa-los com uma educação transversal e transdisciplinar.

Para Paul (2002, p:29) “para envelhecer com qualidade é preciso ser criativo, responder às pressões mobilizando a sabedoria e o relativismo que a experiência ensinou, alterando as prioridades e os percursos, numa luta interna com o corpo e externa com a sociedade”. Esse conceito é uma nítida expressão sucinta daquilo que foi apresentado na tabela de Osório e Pinto. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Educação Ambiental e o Envelhecimento


A má utilização pelo Homem dos recursos naturais, tem sido provavelmente um dos fatores que mais danificam a biodiversidade no nosso planeta. Nem mesmo a própria natureza com as suas catástrofes naturais tais como erupções vulcânicas, terremotos, furações, tempestades avassaladoras e até mesmo os ataques interplanetários de meteoros, tem feito tanto dano no meio ambiente como a ação do Homem. Segundo afirmam Reeves e Lenoir (2006, p:10) “o aumento da temperatura média planetária, desde o início da era industrial, é avaliado em 0,8ºC (…) a poluição pelo ozono bateu todos os máximos desde que há registos, (…) o dióxido de carbono é o principal causador do efeito de estufa. E todavia, verifica-se que a quantidade de CO2 lançado na atmosfera continua a crescer”.

Com a intervenção de uma forma negativa do homem no ambiente, os efeitos têm sido devastadores e continuarão a ser, e as consequências afetam diretamente a humanidade pois necessitamos dos recursos naturais que estamos a destruir. Com isso a nossa saúde no seu todo é seriamente afetada. Falamos tanto em logevidade, bem-estar, qualidade de vida e envelhecimento bem-sucedido... mas tudo isso só é possível num planeta saudável. Assim cabe também ao gerontólogo alertar para o cuidado do meio ambiente.  

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Porque envelhecimos de forma diferente


Por Rui Oliveira 

Lisboa – Uma equipa de investigadores identificou, pela primeira vez, variantes genéticas ligadas ao envelhecimento biológico nos seres humanos.

O estudo, publicado na revista Nature Genetics, foi levado a cavo por uma equipa de investigadores da Universidade de Leicester. A descoberta permite perceber porque é que as pessoas não reagem todas da mesma forma à velhice.O ser humano tem duas idades – a cronológica, que diz respeito aos anos, e a biológica, que diz respeito à idade das nossas células – e essa idade nem sempre é a mesma. A idade biológica é avaliada pelos telómeros (repetidas sequências genéticas nas extremidades dos cromossomas), que se vão encurtando mais ou menos rapidamente com o envelhecimento.


A equipa de Nilesh Samani descobriu que, os telómeros de pessoas portadoras de certas variantes genéticas pontuais eram mais curtos do que os das não portadoras, o que faz com que as portadoras fossem biologicamente mais velhas do que as outras, apesar de terem a mesma idade em anos.
«O que o nosso estudo sugere é que certas pessoas estão geneticamente programadas para envelhecer mais depressa», diz o co-autor do estudo, Tim Spector, do King’s College de Londres, num comunicado. O investigador acrescentou ainda, que as pessoas portadoras das tais variantes genéticas poderão envelhecer mais depressa ainda se forem expostas a ambientes nocivos para os telómeros.


Os factores agravantes que foram apresentados foram «o tabaco, a obesidade e o estilo de vida sedentário». Estas pessoas poderão vir então a «desenvolver um maior número de doenças ligadas ao envelhecimento».


(c) PNN Portuguese News NetworkFonte: noticiasongs.org/archives/8220



sábado, 23 de junho de 2012

Enfrentando a morte sem receios

Lidamos com a realidade da morte de maneiras diferentes. Alguns riem-se, como o homem que disse que a sua mulher queria que estas palavras fossem inscritas na sua lápide:"Eu bem te disse que estava doente!" Outros exprimem o seu receio da morte, como um dos amigos de Job, que apelidou de "rainha dos temores" (Job 18:14.

Mas muitos de nós recusamo-nos totalmente a lidar com a morte. Colocamo-la fora da nossa mente, desejando não ter de pensar acerca desse assunto até àquele inevitável momento do qual não podemos escapar. Aprendemos, mais do que qualquer outra geração que nos precedeu, a falar mais abertamente acerca dos fatos da vida. Mas sentimos-nos provavelmente culpados por estarmos pior capacidatos que qualquer outro grupo de pessoas que nos precedeu a aceitar os factos da morte.

Existirá porventura um meio pelo qual possamos aparender a fazer face à morte sem receios? O Instituto Bíblico de Ensino à Distância desenvolveu uma série de estudos sobre tanatologia que poderá ajudar a avaliar esse tema tão pertinente. Ligue para 808 208 637 ou envie o seu pedido para Instituto Bíblico à Distância: Rua Acácio Paiva, 35 - 1700-004 Lisboa e Peça gratuitamente o manual: Para uma Vida com Sentido

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Irradiar alegria para viver mais e melhor


O nosso universo é composto por cores. As galáxias estão banhadas em cores, as estrelas irradiam luzes que são coloridas. Imaginar um mundo sem cor é viajar no caos e ver a terra “sem forma e vazia” como diz o relato de Génesis 1. 

A Gerontologia Social, como a ciência que estuda o fenómeno do envelhecimento humano e os desafios do idoso na sociedade, tem um vasto campo de atuação. Pode-se fazer uso do universo das cores à nossa volta. Como diz um antigo ditado inglês, “put a little bit of blue in everything you do" . Isso determina que devemos por vida em tudo o que tocamos.

Podemos utilizar as cores para promover a alegria à nossa volta. Como diz Toquinho, na música aquarela, “se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel, num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu”. 

Dessa forma devemos encorajar os idosos a transmitir alegria para esquecer as dores,  as fadigas, o insucesso, a solidão e tantos outros desafios existentes na sociedade. Pintando mundo com um sorriso de cores a vida será muito mais fácil.  

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Premissas do Calçado Gerontológico


Os pés fazem parte da base da nossa estrutura. Entretanto são constantemente negligenciados ao longo da vida com sapatos que causam deformações, falta de estabilidade e desconforto.  No âmbito da Gerontologia Social há uma preocupação no sentido de avaliar um tipo de calçado ideal para promover a saúde, proteção e conforto. A Dra Ana de Sousa sugere as seguintes premissas do calçado gerontológico ideal:
  • Proteção e conforto para o pé;
  • Boa abertura que facilite o calçar e descalçar;
  • Leveza. Não exceder a 350 gramas por sapato;
  • Flexibilidade;
  • Estabilidade;
  • Formas gordas, médias e cheias;
  • Escolher materiais macios, respiráveis e antialérgicos;
  • Não existência de peças que criem zonas de fricção;
  • Forro em toda a área interna do sapato;
  • Costura revestida pelo forro;
  • Estética em resposta aos estilos e gostos comercializados pela moda. 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A Medicina da Dor

Por José M. Caseiro
( Médico coordenador da unidade de tratamento da dor do HPP Lusíadas)

É possível, nos dias de hoje, aliviar o sofrimento de doentes com cor, seja ela aguda ou crónica. A medicina da dor dedica-se a toda a clínica relacionada om o diagnóstico e a terapêutica das diferentes  formas de dor, independentemente da sua causa. 
De forma explicativa, podemos dizer que a dor crónica é uma dor que persiste algum tempo, na ordem dos trêsa seis meses, embora o conceito deva ser aplicado individualmente a cada caso e a cada doente. Se uma pessoa tem dor persistente deverá ir ao médico sem ter que esperar mais que umas semanas ou um mês.

Numa unidade de tratamento da dor e de acordo com as necessidades dos doentes, intervêm profissionais de saúde de diversas áreas, médicos de diferentes especialidades, psicólogos, enfermeiros, etc. que, isoladamente ou em actuação conjugada, podem oferecer aos doentes soluções, esclarecimentos e terapêuticas que o ajudem a melhorar a sua qualidade de vida.

Situações clínicas que podem ser tratadas numa Unidade de Dor:
  • lombalgias
  • dor vertetral
  • nevralgias
  • dor articular
  • dor oncológica
  • neurolgia do trigémio
  • dor muscular
  • fibromialgia
  • cefaléias

Sempre que a dor persista e não alivie com os medicamentos prescritos pelo médico assistente, há motivos para que se procure ajuda numa Unidade de Dor.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Papel do Gerontólogo Social


O envelhecimento é um processo natural que ocorre ao longo da vida e tem sido motivo de estudo por uma vasta gama de pesquisadores e a investigação neste ramo tem-se desenvolvido de uma forma tremenda, embora ainda haja muito por investigar.
É notório o facto de que a população mundial envelheceu drasticamente nos últimos anos e a esperança de vida aumentou consideravelmente. Esta é uma realidade comentada por diversos investigadores. É desnecessário indicar os autores. Quase todos os relacionados com o envelhecimento trazem esses dados.  Os efeitos deste fenómeno são visíveis na nossa sociedade e abrange todas as classes sociais, sendo que os mais ricos têm melhores condições e os que vivem nas zonas urbanas têm mais acesso aos recursos de saúde. Temos aqui um desafio social relacionado diretamente com o envelhecimento humano e as oportunidades cultivadas ou adquiridas ao longo da vida.

Assim, com o pensamento voltado para as questões sociais Anaut (2005, pag 123) informa que “a população idosa tornou-se nomeadamente um dos grupos de investigação mais instrutivos […]”.Assim o idoso dos nossos dias passou a ser visto como parte integrante de um grupo com um grande potencial a ser explorado quer pela ciência, quer pelos senhores dos negócios nos seus mais diversos ramos. Este grupo entretanto tem as suas características, necessidades e fragilidades próprias. Aqui entra então a intervensão do gerontólogo. 

Sendo que a pessoa não pode ser somente classificada como "idosa" a atuação do gerontólogo deve ser interdisciplinar e transversal. O gerontólogo deve ser o canal que indica ao idoso todos os recursos existentes para o seu bem-estar. Assim um gerontólogo pode, e deve, atuar em todas as áreas a fim de que o idoso, sob a sua orientação, possa beneficiar dos serviços do médico, do nutricionista, do assitente social, do tecnico de desporto, do tecnico do turismo, e tantas outras facções de recusos humanos que tornarão a vida do idoso mais propícia. 






quinta-feira, 17 de maio de 2012

A experiência de estar doente


A gerontologia desenvolve competências sociais para entender os efeitos da doença no indivíduo, com o objectivo de apresentar aos consulentes um novo estilo de vida, a fim de promover o bem-estar psicossomático. Para Bertoni (1994, pag. 2) “ a doença pode também amadurecer em nós, forças desconhecidas. Ela pode levar-nos a uma compreensão mais profunda da brevidade e transitoriedade de muitas coisas, que normalmente parecem importantes demais e exigem toda a nossa atenção. A doença pode ajudar a estabelecer um relacionamento novo e melhor com aqueles que estão ao nosso redor”. Um outro ponto de vista relativamente ao papel da doença poderá eventualmente fazer-nos pensar na nossa finitude ou até mesmo no nosso papel como coadjuvantes na grande saga do cosmos. Assim, eu particularmente entendo que a doença pode ser encarada sob um prisma positivo que nos transcende, de carácter biopsicossocial, como passo a expor:

 A doença é um caminho utilizado pelo corpo para chamar a atenção de que algo vai mal. É necessário fazer mudanças. Isto não pode ser encarado meramente como uma forma exotérica de abordar a doença mas como diz o provérbio popular, "nós colhemos aquilo que semeamos".

O facto de estar doente poderá permitir que a investigação sobre a patologia venha trazer a solução do problema, culminando na cura e/ou prevenção para outras pessoas, num futuro próximo ou a longo prazo.

A doença é apresentada como mecanismo que leva o indivíduo a desenvolver competências resilientes, crescendo assim com a nova experiência, ou mesmo aceitar a finitude humana e saber encarar a realidade da morte como algo inerente a todos os seres humanos para que o indivíduo tenha uma boa morte.  


domingo, 13 de maio de 2012

Gerir as Emoções


Achei o artigo que abaixo muito interessante. No universo da gerontologia, fala-se muito em estímulo cognitivo e o estímulo emocional tem sido por vezes esquecido.  O Artigo foi publicado na Revista Saúde e Lar (Ed.online de julho de 2011)
Pergunta: Tenho sentido, nestes últimos meses, dificuldade em gerir as minhas emoções. É claro que os meus filhos saem prejudicados das mais diversas situações. Preciso de mudar o meu comportamento e as minhas reacções, mas não sei como fazê-lo.
R: Prezada leitora, sinto-me satisfeita por ter sentido a necessidade de encontrar estratégias para estar no controlo das emoções e não o contrário. 
Consegue imaginar a vida sem a alegria de um reencontro há muito esperado, da gargalhada de uma criança, do amor que sente por alguém, do prazer de ouvir música ou da excitação de conseguir uma promoção? Mas o que dizer das emoções como o medo, a angústia, a frustração, entre outras? As emoções negativas podem motivar-nos a corrigir situações erradas e podem alertar-nos para possíveis perigos. O facto de nomearmos as emoções de positivas e negativas, não quer dizer necessariamente que as emoções são boas ou más em si mesmas. A forma de se lidar com as emoções é que pode torná-las sadias ou problemáticas. Sentir tristeza e dor quando se perde alguém não é mau! É natural e é necessário para que se faça o luto. Pode, no entanto, tornar-se numa situação prejudicial quando é prolongada no tempo, se torna incapacitante, envolvendo outro tipo de emoções.
De uma forma geral, o ser humano tem estado mais desperto para o tema da saúde. É elevado o número de pessoas que têm visto doenças serem diagnosticadas e tratadas, por ponderarem os sinais e sintomas do seu corpo. Felizmente (talvez de uma forma mais morosa), há um número crescente de indivíduos que considera e pondera os indicadores, os sinais e sintomas de que emocionalmente se está “doente”. Por vezes, é fácil identificar algumas emoções; porém, na maioria das vezes, estas não se vêem. O que se vê é o efeito das emoções. Talvez possamos utilizar uma analogia para entender melhor esta realidade. As emoções são semelhantes ao vento. Não podemos vê-lo. Mas o som das folhas das árvores, o esvoaçar do cabelo ou o movimento da roupa pendurada no estendal, são sinais da sua existência. É possível, inclusive, ver as consequências da sua força destruidora. O mesmo acontece com as emoções e, por esta razão, é muito importante estarmos atentos aos nossos comportamentos, pois através deles poderemos chegar às emoções. Nervosismo e irritabilidade, dificuldade em adormecer, falta de interesse, perda de controlo, medos incomuns, sintomas físicos, podem ser sinais de sofrimento emocional.
É uma grande tarefa, a nossa saúde emocional e, em grande parte, nós somos responsáveis pela forma como lidamos com as emoções. Há sempre uma escolha subjacente na forma de lidar com determinada situação. 
Somos seres físicos, sociais, emocionais e é necessário um olhar holístico para se lidar de uma forma positiva com as emoções. É necessário que se entenda que quando as necessidades físicas (exercício, boa nutrição, sono) e psicológicas (tempo pessoal, socialização, estimulação mental) não estão a ser consideradas, há uma maior tendência para reagir emocionalmente. O resultado é, geralmente, um pavio curto quando se trata de situações adversas que podem provocar a raiva, o medo ou a indiferença. Viver um estilo de vida equilibrado é essencial, assim como conhecer os seus limites. Como está a sua dieta mental? Repleta de calorias vazias, sem horários, demasiado fast-food? Que hábitos necessitam de ser modificados na sua vida, para beneficiar de uma dieta mental equilibrada? Estará hiperestimulada com o que vê, ouve e executa? Dedica tempo para se conhecer e pensar nas suas atitudes e emoções, ou tem a sensação de não perceber os seus comportamentos? Vive de uma forma plena, ou sente que tudo é realizado de forma fugaz? 
Questionar-se sobre um problema é um começo, mas não é o suficiente para o resolver! Que estratégias vai utilizar para modificar os seus comportamentos e reacções? Lembre-se que não fazer nada é uma escolha! Qual vai ser a sua?

Nélia Silva Coutinho
Psicóloga

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Os idosos e os jogos de azar


A Gerontologia Social aposta na utilização de uma grande variedade de jogos com o objetivo de promover a continuidade do desenvolvimento cognitivo, da interação social, da expressão emocional da descontração, entre outros. Isso acontece porque os jogos podem ser utilizados como elementos que ajudam a desenvolver o raciocínio, o trabalho de grupo e o idoso tem a oportunidade de expressar as suas emoções entre os participantes através da sua satisfação ou não pelos resultados. O jogo também é muitas vezes utilizado para criar laços de confiança e permitir que conversas mais profundas possam ser desenvolvidas.

Contudo é de vital importância recordar que embora os jogos têm a sua importância, é preciso cautela para não tornar um vício para o idoso. Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostra a dependência patológica dos idosos com jogos de azar. Segundo foi apurado a mulheres têm maior facilidade em desenvolver essa patologia.

Segundo os dados do INE, “em Portugal, e tendo como referência as taxas de mortalidade de 2000/2001, um homem pode, em média, esperar viver 73,5 anos e uma mulher 80,3 anos. Como o número de idosos do sexo feminino é essencialmente superior ao sexo masculino, daí a nossa preocupação. De acordo com a investigação da Faculdade de Medicina da USP “…dos 50 idosos participantes do estudo, a maioria tem grau de instrução baixo, condição financeira razoável e mora sozinha”. Temos aqui três fatores de risco que o gerontólogo considera como importantes para fazer uma intervenção.

Durante o mês de junho de 2011 iniciei um estudo de obsrvação para conhecer a população que frequentava os dois grandes casinos da região da grande Lisboa e o dois Bingos durante uma semana em horários diferentes, observou-se que mais de 70% da população que frequentou esses instituições era idosa. Este estudo ainda está em desenvolvimento. 

Na crise financeira progressiva em que nos encontramos, esses elementos, embora tivesse sido observado numa cultura e condições diferentes da realidade portuguesa, é o retrato da nossa sociedade. Como tal deve ser desenvolvida uma intervenção gerontológica de integração para prevenir o desenvolvimento de patologias psicológicas.

Fontes 
Instuto Nacional de Estatística  
www.formadoresdeopiniao.com.br

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Idoso e o direito ao trabalho

Na grande maioria dos países, especialmente na Europa, comemora-se hoje o dia do trabalhador. É louvável a conquista que foi feita no passado por homens e mulheres idealistas que passaram por provações, privações e perseguições políticas para garantir que hoje tivéssemos o direito ao trabalho e que as condições de trabalho fossem dignas para que dessa forma pudéssemos continuar a crescer como  seres sociais. 

Não obstante, nos nossos dias, diante dos nossos olhos, existe uma repressão silenciosa apoiada pelos governos e executadas por empregadores onde o idoso é discriminado como incapaz. As políticas das reformas e pré-reformas necessitam de revisão. Da mesma forma que foi conquistado o "não trabalho infantil", deve ser garantida a independência financeira do idoso. Somente quando isso acontecer estaremos a promover um verdadeiro envelhecimento saudável e bem-sucedido aos nossos idosos. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Nunca é tarde de mais para ter saúde

Achei este artigo muito interessante que fui publicado na Revista Saúde e Lar, da qual sou assinante: 



Alguma vez se perguntou porque é que aquela marca especial de pânico a que chamam meia-idade lhe cai nos braços por volta da metade da vida, para estragar as coisas? Vou dizer-lhe porquê. 
É porque leva metade da vida para tomar consciência de que (a) esta é a sua vida, e (b) é a única que vai ter

Disparou da linha de partida para o futuro (geralmente pelas portas de alguma instituição de persuasão escolar) querendo agarrar tudo. Tantas coisas para fazer! Tanto para ver! O que escolher? O que fazer primeiro? É demasiado jovem para ser paralisado por escolhas, por isso faz aquilo que quer. Porque não? Tem toda a vida pela frente.
Depois, começa a aproximar-se da meia-idade, que já o fez abrandar o suficiente para ver, pela primeira vez, onde chegou (ou não...). E pensa: Espera aí! De certeza que ISTO não é tudo! De certeza que não vim este caminho todo para... ISTO!

Esta crise, quando pensamos nela, é, provavelmente, uma bênção camuflada. Imagine se não tivesse sido forçado a abrandar a cada década ou duas para avaliar a sua vida. Podia acabar desnorteado no seu leito de morte, dizendo: “Mas eu tinha tão grandes sonhos e não concretizei nenhum! Como é que isso aconteceu?”

Assim, quando a vida chega, chiando, à pausa da meia-idade, não se alarme. É uma coisa boa. Vai tirar alguns momentos para refletir, calmamente, sobre aquilo que alcançou, e tomar nota, cuidadosa e conscientemente, da direção que talvez queira tomar, ao se encaminhar novamente para o futuro.
Mas, decida o que decidir, ao fazer uma pausa para refletir, aqui nesta encruzilhada da vida onde o trânsito é um pouco mais lento, olhe para alguns dos seus velhos sonhos postos de lado e veja se não há algum que valha a pena ser ressuscitado. A pessoa que era quando os sonhou ainda aí está, dentro de si, cheia de grandes esperanças e sonhos ainda maiores. Dê a esse seu eu idealista uma oportunidade para explorar algo de novo e para crescer. Porque, lembre-se, este é apenas metade do caminho, não a linha de chegada. Ainda tem muito para viver.

E antes de sair em disparada, tome algum tempo para consultar Deus e ver se a sua vida está de acordo com os Seus planos. Não interessa quem seja nem quanto tenha conseguido alcançar, há ainda uma coisa que realmente conta na vida, apenas uma coisa de que tem o direito de se gabar: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas, o que se gloriar glorie-se nisto: em Me conhecer e saber que Eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas Me agrado, diz o Senhor” (Jeremias 9:23 e 24).

Se, durante a segunda metade da sua vida, deitar a mão aos seus sonhos tendo em consideração os planos de Deus para si, deixará de se preocupar com o passar do tempo, porque o seu coração estará cheio de alegria".

Fonte: Revista Saúde e Lar: www.saudelar.com 

domingo, 29 de abril de 2012

O Desenvolvimento da Empatia como Elo de Inclusão


Uma das formas mais eficazes para promover a inclusão e a reinserção social é através do desenvolvimento da empatia. Para Rogers (1979) a empatia "significa penetrar no mundo perceptual do outro e sentir-se totalmente à vontade dentro dele. Requer sensibilidade constante para com as mudanças que se verificam nesta pessoa em relação aos significados que ela percebe, ao medo, à raiva, à ternura, à confusão ou ao que quer que ela esteja vivenciando. Como pode ser isso possível? 

Boothman (2008) fala dos quatro elementos essenciais para fortalecer a sintonia do suporte social na pessoa: “abrir – olhos – irradiar – aperto de mão ”. Para este autor “a primeira parte do acolhimento deve ser abrir a nossa atitude e o nosso corpo”. Esta abertura está relacionada com a nossa aceitação incondicional do outro, independentemente da sua cultura, estatuto social, crenças, raça, estilo de vida e outros. Implica também a atitude positiva e “uma linguagem corporal” adequada. É necessário evitar cruzar os braços sobre o coração.
O mesmo autor afirma ainda que “a parte do acolhimento envolve os olhos”. Devemos tomar a iniciativa de fazer o contacto visual. O contacto olhos nos olhos mostra que a pessoa com a qual estamos a falar é o elemento mais importante naquele momento.

Se desejarmos que as pessoas sejam felizes, temos que ser os primeiros a “irradiar alegria”. Isto faz-se através do sorriso. Se olhamos nos olhos e desenhamos um sorriso no rosto ao cumprimentar alguém, por mais desconfiada que a pessoa possa estar, o sorriso também despontará no outro rosto. Boothman (2008) também menciona a importância do cumprimento animador através de palavras radiantes como “viva!”. Para o autor é muito importante ser o primeiro a identificar-se numa conversa.

Quando estes passos, referentes a uma boa comunicação e interação, são observados de uma forma natural e progressiva as barreiras são quebradas e conquista-se a confiança, cooperação e sobretudo o respeito pela dignidade humana. Nestas condições abre-se o caminho para uma intervenção gerontológica eficaz.  Tudo isso pode acontecer pelo simples facto de deixar o nosso rosto mostrar que estamos felizes. É uma questão de atitude.