terça-feira, 21 de maio de 2013

Inclusão social para idosos


Bruto da Costa et al In “ Um olhar sobre a pobreza

“A inclusão na sociedade depende também do posicionamento dos indivíduos relativamente ao domínio económico, quer no que se refere aos sistemas geradores de rendimentos, quer à possibilidade (ou não) de aquisição de bens e serviços indispensáveis ao funcionamento em sociedade.
Mas a vida em sociedade é também moldada pela relação que estabelecemos com referências identitárias que construímos e que nos permitem ser reconhecidos e reconhecermo-nos como parte dessa sociedade e pela construção das memórias individual e colectiva que permitem um processo de ancoragem social essencial à inclusão.
O acesso aos sistemas geradores de rendimento (pelo menos a um deles) e ao mercado de bens e serviços representa, pois, outro factor de inclusão social.
O acesso à informação e ao conhecimento, por exemplo, é crescentemente reconhecido como um dos factores mais decisivos de inclusão/exclusão nas sociedades modernas.
“(...) a inclusão exige não apenas condições objectivas de integração, mas também o reconhecimento subjectivo de se estar incluído. Este domínio abrange o sistema social que diz respeito às referências identitárias, e à construção das memórias individuais e colectivas e que constituem um patamar fundamental de inclusão na sociedade.”

domingo, 12 de maio de 2013

ERGONOMIA, ENVELHECIMENTO E ADAPTAÇÃO


Por Cláudia MouraIn”Século XXI – Século do Envelhecimento”

“Habitualmente o domicílio alcança uma significação única, na vida do geronte, desenvolvendo em determinados casos, uma conexão de espaço – ambiente. O uso da Ergonomia, enquanto abordagem interdisciplinar no âmbito do envelhecimento, é substancial para a promoção da autonomia incitando condições de vida, estimulantes e aceitáveis, permitindo habilitar o «ambiente» às necessidades e limitações do geronte.
No entanto, tais mudanças ambientais, nomeadamente no domicílio, aduzem alguma resistência, quer por parte do geronte, quer pela própria família. A conjuntura da ergonomia face ao ambiente familiar traduz-se na otimização das condições e conforto visando de forma integrada a sua garantia através de um ambiente seguro (…) Os vínculos inabaláveis entre o indivíduo e o ambiente edificam a base para uma abordagem socio-ecológica da saúde. (…) a enunciação de ambientes favoráveis à saúde, reporta aos aspetos físicos e sociais que nos envolvem, nomeadamente, aos locais onde os gerontes habitam.”  

terça-feira, 7 de maio de 2013

Educação para a Saúde


“Educação para a saúde é toda a actividade intencional conducente a aprendizagens relacionadas com saúde e doença [...], produzindo mudanças no conhecimento e compreensão e nas formas de pensar. Pode influenciar ou clarificar valores, pode proporcionar mudanças de convicções e atitudes; pode facilitar a aquisição de competências; pode ainda conduzir a mudanças de comportamento e de estilos de vida (Tones e Tilford, 1994:11).”

Citado por Amâncio Carvalho; Graça Carvalho in Educação para a Saúde

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Como envelhecemos?


Recebi um email de um leitor que fez a seguinte afirmação: "todos nascemos, crescemos e morremos, como seres humanos somos todos iguais, mas por algum motivo umas pessoas parecem ser mais jovens que outras e mesmo entre os idosos há uns mais cheios de vida que outros."

Certamente a afirmação do leitor vem de encontro com o conceito de envelhecimento adotado pela Gerontologia Social em que cada pessoa envelhece de uma forma única, a seu próprio tempo, como salientou Neves (2000, p 77)“…Ninguém envelhece da mesma maneira e as alterações causadas pelo envelhecimento desenvolvem-se a um ritmo diferente para cada pessoa e dependem de factores externos como o estilo de vida, actividades e ambiente, e de factores internos como a bagagem genética e o estado de saúde…”



segunda-feira, 29 de abril de 2013

Instabilidade e Quedas entre Idosos


“As quedas estão entre as principais causas de morbidade na população geriátrica. Cair não é apenas um problema isolado; em geral, as quedas são marcadores de fragilidade e podem ser indicadores de óbito, assim como as suas causas indirectas (em geral, fraturas).
O medo de cair pode afetar negativamente o estado funcional dos indivíduos idosos. As quedas repetidas e as lesões consequentes podem ser fatores importantes na decisão de internar os indivíduos idosos em uma instituição de longa permanência.
Fraturas de quadril, de fêmur, do úmero, de punho e de costelas e lesões dolorosas dos tecidos frouxos são as complicações físicas mais comuns. Algumas dessas lesões acarretam internações hospitalares, com os seus riscos associados de imobilização e complicações iatrogênicas.
As fraturas de quadril e de membro inferior frequentemente causam  limitações físicas prolongadas, devido à restrição da mobilidade. O hematoma subdural é uma lesão menos comum, mas igualmente importante. Sinais e sintomas neurológicos que se desenvolvem dias ou semanas após uma queda devem levar à consideração desse problema potencialmente curável.”

Fonte: Instabilidade e Quedas

quinta-feira, 25 de abril de 2013

É bom Envelhecer

No dia da Liberdade, uma mensagem especial para todos aqueles que ainda não se libertaram do medo de envelhecer 



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Demência


Por Nancy Andreasen
“As demências são doenças do envelhecimento. O desenvolvimento de uma demência numa pessoa idosa traz o desespero aos seus entes queridos, especialmente marido, mulher ou filhos, que terão de cuidar de uma pessoa que irá progressivamente desaparecendo. As demências são relativamente incomuns nas pessoas com menos de 65 anos de idade, mas o risco aumenta proporcionalmente ao aumento da idade.                 As pessoas com demência «perdem a cabeça» lenta mas inexoravelmente, enquanto os seus corpos mantêm uma saúde robusta.” As demências não são uma doença única. Elas dividem-se em diversos grupos. Com causas e evoluções ligeiramente diferentes. As principais incluem a doença de Alzheimer e a demência vascular (...). Embora estas diversas espécies de demência tenham causas diferentes, a sua apresentação clínica é notavelmente semelhante. 
As marcas típicas de todas as demências são: 


  • Défice da memória e da cognição que é acompanhado por um declínio geral da capacidade para se relacionar ou funcional no trabalho, em casa e em situações sociais.
  • Perda da memória associada às demências é muito mais grave do que os esquecimentos normais e interfere com a capacidade para funcionar normalmente.

Como o número das pessoas com mais de 65 anos está a ultrapassar o  crescimento da população geral, as demências tornar-se-ão um problema cada  vez maior no futuro”.                                         

terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia do Livro - Uma ação Gerontológica


No dia do Livro, o Blog SessentaMais marca presença no âmbito da Gerontologia e deseja oferecer a cada visitante um exemplar totalmente gratuito (inclusive portes) do livro "O Caminho para a Esperança".  Este livro tem sido um apoio para todos aqueles que querem desenvolver as relações intra e inter pessoais; Homem e o ambiente ; Homem e o Transcendente.

Muitos já receberam o seu exemplar por este blog e gostaram!

Esta oferta especial é um parceria entre o Blog SessentaMais e a Publicadora SerVir.

Envie o seu pedido com morada de envio.

Bom proveito,

Luciano da Silva

segunda-feira, 22 de abril de 2013

dia da terra


No dia da terra, tenho o prazer de fazer uma reedição de um dos temas de 2012 sobre a Gerontoecologia.  

É impossível não falar de envelhecimento humano e saúde sem falar de ecologia. Assim essa palavra, acabada de "sair do forno" vem fortalecer o conceito  que um ambiente saudável favorece um envelhecimento bem-sucedido. 

Vivemos num planeta que sem sombra de dúvidas é o cantinho mais lindo e exuberante do universo. A terra é o único ponto do sistema solar em que foram criadas condições adequadas para o florescimento da vida.
As árvores altaneiras com as luxuriantes folhagens cobrem a superfície da terra e nelas são abrigados bandos de aves que enchem o ar com a mais melodiosa música e pintam o nosso imenso céu azul com as suas mais diferentes cores.

Os frutos e as flores dessas árvores inundam o ar de uma verdadeira sessão de aromaterapia que transcende a alma e eleva o ser. Os rios, que nascem nas mais distantes montanhas, serpenteiam a terra, regando esse nosso jardim e providenciando ao Homem e a todas as espécies de animais, a água que nos é tão essencial.
Os mares, fonte de alimento, de energia e inspiração para muitos, abraçam todos os continentes e garantem a estabilidade na biosfera.

Contudo o Homem, a pensar na sua comodidade momentânea, tem utilizado em grande escala os recursos naturais do planeta de uma forma irresponsável. A Natureza não é uma fonte inesgotável. Embora ela se regenere, o processo é lento e o feito maléfico do Homem não tem dado à Natureza a oportunidade de se transformar e se restabelecer. Assim a Natureza, não podendo se refazer, utiliza a própria arma mortífera do Homem para avisar o próprio, através da disseminação de doenças que se a humanidade não cuidar da Natureza, irá acabar matando-se a si própria

domingo, 21 de abril de 2013

O idoso e as questões sociais do meio envolvente


“Ser-se velho era ser-se sábio; era ter-se a mais valia do tempo que fazia do velho o conselheiro, o amigo... a memória das gerações.” (
Costa, 1999,p.9)‏


É fundamental “… uma participação dos idosos em actividades económicas, sociais, espirituais, culturais e de cidadania … assim podem sentir-se úteis e melhorar a sua qualidade de vida, se continuarem a desenvolver actividades e a participar activamente oferecendo o seu contributo à sua família, à sua comunidade e ao seu país.” 
(Cabrita, 2003, p. 17)‏

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O envelhecimento e o desafio da farmacodependência


Por: Louise Berger e Danielle Mailloux
“A velhice, como todas as etapas da vida, necessita um período de adaptação que difere de indivíduo para indivíduo. Infelizmente acompanha-se muitas vezes por uma descompensação psicológica a que as pessoas de idade tentam responder por meio de uma bengala química.

Parece, com efeito, que ao envelhecer as pessoas desenvolvem facilmente esta dependência e esta “ânsia devoradora pelos medicamentos”, e sem muitas vezes chegarem a dar por isso. Por outro lado as pessoas de idade vivem situações ansiogénicas que se manifestam por sintomas somáticos para os quais pedem alívio. Então consultam muitas vezes os médicos para obter alívio do seu mal estar e insistem muito para obter receitas, não hesitando em recorrer a vários para conseguir o que querem.”

Fonte: Pessoas Idosas - uma abordagem global


terça-feira, 16 de abril de 2013

O idoso e as relações familiares


A asocialização, principalmente de ordem familiar é de importância vital para o envelhecimento feliz. O indivíduo, como um ser social, necessita de estar em comunidade, de interagir e criar elos de ligação com os demais. Ao longo da jornada da vida, os elos sociais vão sofrendo alterações. Muitos dos casais se enviúvam, morrem os pais, os filhos e os amigos mais ou menos próximos e os vizinhos também mudam. Caso não haja uma intervenção que promova a integração ou reintegração social, o idoso pode seriamente entrar em depressão pois sabe que será o “próximo da lista” para morrer e isto pode tornar-se uma patologia. 

Em conformidade com o pensamento acima, Ellen White salientou já no fim do séc XIX " Se animados a partilhar dos interesses e ocupações domésticos, isto os ajudará [os idosos] a sentir que não deixaram de ser úteis. Fazei-os sentir que seu auxílio é apreciado, que há ainda alguma coisa para fazerem em servir a outros, e isso lhes dará ânimo ao coração, ao mesmo tempo que comunicará interesse a sua vida (...) O quanto possível, fazei com que aqueles cuja cabeça está alvejando e cujos passos trôpegos indicam que se vão avizinhando da sepultura permaneçam entre amigos e relações familiares." 
A Ciência do Bom Viver pag 205. Publicadora SerVir

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A música no processo do envelhecimento


Vários investigadores no campo da neurociência têm desenvolvido estudos que indicam a relevância que a música provoca no desenvolvimento intelectual.

Edelman suporta que “como uma floresta, o cérebro está activo algumas vezes, quieto outras, mas sempre cheio de vida. Semelhante à selva o cérebro tem regiões distintas para lidar com várias funções mentais”
Para Ballone, a música é uma das ferramentas mais completas no que se refere à estimulação cognitiva e emocional pois “a  música, como atividade neuropsicológica, requerer múltiplas funções cerebrais, tais como a função auditiva para escutar e apreciar a harmonia, ritmo, timbre, a função visual, para ler uma partitura, a função motora para execução instrumental e, mais fascinante, as funções cognitivas e emocionais para a interpretação e representação musical interior. Assim, no conceito de Ballone a música pode ser utilizada na namutenção das funcionalidades psicomotoras durante o período da retrogénesis, ou do inicio das perdas das funcionalidades psicomotoras.  

Para além disso a música també pode ser vista como uma ferramenta de suporte emocional. A reportagem do Jornal o Sol de 14 de Janeiro de 2011 relata os estudos de Valorie Salimpoor da Universidade McGill, no Canadá, “que foram publicados na revista Nature Neuroscience, a experiência do prazer é mediada através da libertação de dopamina, um químico existente no cérebro responsável pela sensação de prazer”.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Os Factores Sociais e a Resiliência


Garmezy, que observou famílias desfavorecidas, chegou á conclusão que a resiliência pode apresentar três factores de protecção que são enumerados como: Factores Individuais; Factores Familiares e Factores de Suporte.

Os “factores individuais” são tudo aquilo que faz parte da personalidade única e exclusiva da pessoa. Faz parte da sua individualidade, sua forma natural de acção e reacção à determinada circunstância.

Os “factores familiares” representam a forma como o núcleo familiar responde ao indivíduo numa fase de crise. Neste aspecto a unidade da família, o interesse, o calor humano, a cumplicidade, a observação e a proximidade familiar são decisivos na motivação e na acção resiliente.

Os “factores de suporte” dizem respeito ao meio social mais alargado em que a pessoa está inserida. Pode ser representado pelos amigos, grupos de convívio, de actividades religiosas ou lúdicas, entre outros.

Marie Anout apoia enfaticamente Rutter que por sua vez também apoiou as observações de Garmezy ao afirmar que “estes três pólos de protecção favorecem a resiliência porque melhoram a auto-estima e a auto-eficácia, abrindo novas possibilidades para para o indivíduo” tornar-se resiliente.

Permanecer no amor

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Aprender através do sofrimento


A observação de Cyrulnik exemplifica a pérola como o “maravilhoso infortúnio”. As pérolas são produto da   resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar que envolve o objecto intruso que lhe provoca imensa dor.

Como resultado, uma linda pérola é formada. Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada. Marie Anaut fortalece este conceito quando escreve; “a partir de uma ferida ou sofrimento o sujeito pode construir uma experiência potencialmente proveitosa para si”. Ela ainda acrescenta a ideia que “o resiliente elabora um oximoro cujo modelo seria o da pérola fabricada pela ostra como resposta a uma agressão”.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Portugal é o 6.º país que mais gasta com AVC


por Lusa, publicado por Ana Maia

Fonte: Jornal Diário de Notícias 27/03/2013 

Divulgado no âmbito do Dia Nacional do Doente com AVC, que se assinala no domingo, o relatório refere que um em cada cinco acidentes vasculares cerebrais está associado à fibrilhação auricular (FA), uma arritmia cardíaca que se estima afetar 140 mil portugueses com 40 ou mais anos.

"Sabendo-se que a FA aumenta em cinco vezes o risco de AVC e é responsável por 15 a 20% dos acidentes vasculares cerebrais, este aumento de incidência aponta igualmente para um agravamento dos números de AVC", que são a segunda causa de morte por doença cardíaca na Europa e a primeira em Portugal, em pessoas com 65 ou mais anos.
Os custos anuais associados ao AVC na Europa, que vitima cerca de 1,3 milhões de europeus anualmente, somam cerca de 64 mil milhões de euros.
"Portugal é sexto país da Europa que mais gasta com o AVC em termos absolutos (cerca de 2,5 mil milhões de euros) e o segundo com custos per capita mais elevados (cerca de 240 euros)", adianta o Grupo de Trabalho para a Prevenção do AVC, por FA.
Os doentes com FA têm uma probabilidade 50% mais elevada de morrer durante o ano seguinte (face a 27% dos doentes sem esta arritmia) e de ficar com incapacidade permanente.
Estes doentes constituem "um dos mais importantes grupos para reduzir o peso global, humano e económico dos AVC".
Frequentemente a FA não apresente sintomas claros para um rápido diagnóstico, estimando-se que um terço dos doentes desconheça a sua condição, o que os afasta de qualquer terapêutica preventiva.
A verificação da pulsação irregular e um eletrocardiograma podem ter um "papel crucial na melhoria da deteção de FA". Já a terapia anticoagulante pode diminuir o risco de AVC, em cerca de dois terços destes doentes.
"Mesmo quando o diagnóstico existe, muitas vezes falha a prevenção ou a forma como é feita". Estudos realizados em Itália, Alemanha e Espanha referem que apenas entre 25% a 57% destes doentes estavam sob terapêutica anticoagulante.
O cardiologista João Morais disse à Lusa que estes dados "não surpreendem", espelhando uma realidade conhecida, principalmente dos médicos que lidam com as doenças cerebrovasculares, que "têm um peso brutal nas doenças do aparelho circulatório".
João Morais salientou a importância da prevenção e do tratamento, para "minimizar os danos" desta doença. "Na fase da prevenção, temos dois problemas centrais em Portugal que condicionam os elevadíssimos números que temos de AVC, a hipertensão arterial e a FA", frisou.
João Morais adiantou que "é fundamental" que o doente que sofre um AVC ou que tem a perceção de que está a sofrer um ataque contacte rapidamente o 112.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Os desafios do envelhecimento demográfico


É notório o facto de que a população mundial envelheceu drasticamente nos últimos anos e a  de vida aumentou consideravelmente. Esta é uma realidade comentada por diversos investigadores. Os efeitos deste fenómeno são visíveis na nossa sociedade e abrange todas as classes sociais, sendo que os mais ricos têm melhores condições e os que vivem nas zonas urbanas têm mais acesso aos recursos de saúde.

Aken (2009, pag. 47) classifica o aumento da esperança de vida nos últimos 150 anos como uma “linha recta dirigida para cima”. Em todos os países do mundo nota-se um aumento considerável da população idosa e por isso surgem novos desafios.

Anaut (2005, pag 123) informa que “a população idosa tornou-se nomeadamente um dos grupos de investigação mais instrutivos […]”.Assim o idoso dos nossos dias passou a ser visto como parte integrante de um grupo com um grande potencial a ser explorado quer pela ciência, quer pelos senhores dos negócios nos seus mais diversos ramos. Este grupo entretanto tem as suas características, necessidades e fragilidades próprias.

Tornou-se obrigatório criar e desenvolver meios para proporcionar aos idosos melhor qualidade de vida e promover um modelo de envelhecimento onde sejam garantidas condições de integração social e que potencie um envelhecimento saudável em todos os seus aspectos.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Alterações Neurofisiológicas durante o Envelhecimento



Por: Aline Pereira, Carla Freitasa, Cristiane Mendonça et all 

Durante o envelhecimento vários processos fisiológicos se modificam. Por exemplo, no sistema nervoso, ocorre uma diminuição do seu volume do sistema nervoso central (perda de neurônios e outras substâncias) e as fibras nervosas perdem a sua mielina - responsável pela velocidade de condução do estimulo nervoso (Straub et al., 2001; Berger e Mailloux-Poirier, 1995).


As funções intelectuais também se alteram, como por exemplo: dificuldade nos processos de aprendizagem e de memorização, o que provavelmente está relacionado com as alterações químicas, neurológicas e circulatórias que afetam a função cerebral; diminuição da eficácia da oxigenação e nutrição celular e diminuição na aprendizagem associada às deficiências nas sinapses e na disponibilidade de determinados neurotransmissores (Braver e Brach, 2002). 

Por conseguinte, há uma assimilação mais lenta de conhecimento, refletindo significativamente na formação de memória de curto prazo (imediata) apesar da conservação da memória de longo prazo (fixação); dificuldade na organização e utilização das informações armazenadas e diminuição da memória visual e auditiva de curto prazo (Braver e Brach, 2002; Berger e Mailloux-Poirier, 1995).

Entretanto, em relação à inteligência, não se pode afirmar que haja declínio acentuado com o avançar da idade, o que ocorre é fadiga mental, desinteresse, diminuição da atenção e concentração; fatores estes que geralmente estão associadas ao declínio da inteligência.

Fonte: Envelhecimento, estresse e sociedade: uma visão psiconeuroendocrinológica 

terça-feira, 12 de março de 2013

Instabilidade e Queda


“O uso da Ergonomia, enquanto abordagem interdisciplinar no âmbito do envelhecimento, é substancial para a promoção da autonomia incitando condições de vida, estimulantes e aceitáveis, permitindo habilitar o «ambiente» às necessidades e limitações do geronte.”


“Habitualmente o domicílio alcança uma significação única, na vida do geronte, desenvolvendo em determinados casos, uma conexão de espaço – ambiente.

“No entanto, tais mudanças ambientais, nomeadamente no domicílio, aduzem alguma resistência, quer por parte do geronte, quer pela própria família. A conjuntura da ergonomia face ao ambiente familiar traduz-se na optimização das condições e conforto visando de forma integrada a sua garantia através de um ambiente seguro (…) Os vínculos inabaláveis entre o indivíduo e o ambiente edificam a base para uma abordagem socio-ecológica da saúde. (…) a enunciação de ambientes favoráveis à saúde, reporta aos aspectos físicos e sociais que nos envolvem, nomeadamente, aos locais onde os gerontes habitam.”  

Fonte: Cláudia MouraIn”Século XXI – Século do Envelhecimento”

segunda-feira, 11 de março de 2013

Livro O Caminho para a Esperança

Caro seguidor do blog e leitor do Blog SessentaMais,

Venho informar que temos ainda disponível alguns exemplares totalmente gratuitos do livro "O Caminho para a Esperança".  Este livro tem sido um apoio para todos aqueles que querem desenvolver as relações intra e inter pessoais; Homem e o ambiente ; Homem e o Transcendente.

Esta oferta especial é um parceria entre o Blog SessentaMais e a Publicadora SerVir.

Envie o seu pedido com morada de envio.

Bom proveito,

Luciano da Silva

O cuido e os desafios culturais


Por Tatiane Prette Kuznier

O cuidado constitui preceito básico para existência humana, visto que o homem só existe e se edifica se passar por situações de cuidado. Para Boff (1999, p. 33), cuidar é mais do que ato, é atitude. Vai além de “um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro”. Aliando a questão cultural ao cuidado, Madeleine Leininger formulou a “Teoria do Cuidado Cultural”, que fornece meios para estudar os seres humanos e o cuidado cultural, podendo ser usada em qualquer cultura ou subcultura do mundo, a fim de desvelar as diferenças e similaridades do cuidado cultural (LEININGER, 1991).

Para Leininger (1991), o processo saúde-doença dos indivíduos é influenciado pela cultura. Assim, o enfermeiro desenvolverá ações congruentes, se entender que sua cultura pessoal poderá ser diferente daquele a quem presta cuidado, devendo, portanto, analisar o contexto cultural em que se encontra seu paciente, constatando se o cuidado praticado pelo paciente está próximo ou distante do cuidado profissional.

O cuidado culturalmente embasado fornece importantes subsídios para um cuidado individualizado e assertivo. Valorizar a característica particular de cada idoso, bem como o seu modo de compreender o mundo, o torna mais participativo no cuidado.Como mencionam Lenardt & Tuoto (2003, p. 3) “os doentes sentem mais apoio quando vêem que a conduta terapêutica expressa interesse baseado em uma compreensão pessoal deles”.

Penso ser congruente a prática de um cuidado cultural, que leva em consideração a totalidade da vida humana e sua existência ao longo do tempo. De modo a entender como os idosos se cuidam, e porque se cuidam, há necessidade de4 se familiarizar com os conjuntos de significados por meio dos quais eles norteiam suas vidas (LENARDT & TUOTO, 2003). Cada idoso possui estilo peculiar em praticar seupróprio cuidado. O cuidado ou, ao contrário, o descuidado podem ser determinantes na vida do idoso. Um idoso que se cuida e se preocupa consigo mesmo tem mais chance de conseguir um envelhecimento saudável e desejável.

quarta-feira, 6 de março de 2013

A Saúde e o Desenvolvimento Espiritual


Por Jon Paulien 
Fonte: Lic. Esc. Sab. Origens

Cuidar da saúde é uma parte vital do nosso relacionamento com Deus. Obviamente, alguns aspectos da saúde estão além do nosso controle. Temos genes defeituosos, estamos expostos a produtos químicos ou outros agentes prejudiciais desconhecidos e estamos em risco de danos físicos que podem prejudicar nossa saúde. Deus sabe de tudo isso. Mas na medida de nossas possibilidades, devemos fazer o melhor para preservar nosso corpo feito à imagem de Deus.  

“Ninguém que professe piedade considere com indiferença a saúde do corpo, nem se iluda com o pensamento de que a intemperança não é pecado e não afetará sua espiritualidade. Existe uma estreita afinidade entre a natureza física e a moral. O padrão de virtude é elevado ou rebaixado por meio dos hábitos físicos [...] Qualquer hábito que não promova o perfeito funcionamento saudável do organismo humano degrada as mais elevadas e nobres faculdades” White, E.G, (2009)  Conselhos sobre Saúde pag 67.  

Jon Paulien é diretor do departamento de Religião da Universidade de Loma Linda, na Califórnia. Atuou durante 27 anos como professor no Seminário Teológico da Andrews University. Autor de sete livros, mais de cem artigos, trabalhos acadêmicos e outras publicações, Jon é um especialista no estudo do evangelho de João e do livro de Apocalipse. 


Mobilidade Fácil


A Equipa ACESSO da Fundação para a Ciência e a Tecnologia está a colaborar no projeto  (no âmbito do projeto âncora TICE.Mobilidade – Sistemas de Mobilidade Centrado no Utilizador). 
O EASY.ACCESS trata-se de uma plataforma agregadora de informação e serviços auxiliares à mobilidade de todos os cidadãos, EM PARTICULAR CIDADÃOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS E COM MOBILIDADE REDUZIDA. Pretende responder às necessidades das várias fases duma viagem, nomeadamente o planeamento, a viagem e o destino.
Para testar o inquérito online aos utilizadores, NECESSITAMOS DE 10 VOLUNTÁRIOS (que habitem em Portugal). Quem estiver interessado em participar agradecíamos que enviasse um email a expressar essa disponibilidade para: claudia.cardoso@fct.pt . 
Mais informação sobre o projeto pode ser consultado no site da easyacess.pt  

segunda-feira, 4 de março de 2013

Conceito de Envelhecimento


Por: Geraldine Alves dos Santos
(...) "O envelhecimento, segundo o pensamento de Hayflick (1996), não é a simples passagem do tempo, mas as manifestações biológicas que ocorrem no organismo durante o transcorrer deste espaço temporal. Para o autor, o envelhecimento cronológico é apenas uma convenção, não existindo nenhuma influência do tempo sobre o organismo.

Quando estudamos o envelhecimento é relevante observarmos a distinção que Hayflick (1996) propõe entre velhice e doença. A definição de envelhecimento não é sinônimo de doença, apesar de poderem estar associados. Em qualquer fase da vida o ser humano é suscetível aos mais diversos tipos de doenças, caso contrário não existiriam tantos problemas com a mortalidade infantil. Com o aumento da idade o sistema imunológico humano diminui a capacidade de defender o organismo e, portanto, o indivíduo fica mais vulnerável às doenças, mas não necessariamente adoece".

Fonte: Revista Virtual Textos & Contextos. Nº 1, ano I, nov. 2002

Geraldine A. Santos é Psicóloga, Especialista em Gerontologia Social, Técnica de Rorschach e Técnica de Zulliger, Mestre em Psicologia Clínica, Doutora em Psicologia, Diretora Técnico-Científica da Associação Nacional de Gerontologia/RS, Membro do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia/RS   

sexta-feira, 1 de março de 2013

O Homem Tridimencional


Em 1939, os estatísticos britânicos Greenwood Maior e JO Irwin publicaram um artigo pouco notado na revista Human Biology. Com o inicio da II Guerra Mundial, 1939 foi um mau ano para fazer história científica e para agravar a situação o trabalho de Maior e Irwin viria contrarir grande parte dos biólogos e médicos da época.

Assim, o artigo continha uma descoberta inesperada na altura. Greenwood e Irwin estavam estudando os números de mortalidade de mulheres com idades entre 93 e mais. Eles esperavam ver a taxa de mortalidade aumentar com a idade, como ocorre ao longo da vida adulta. Mas os resultados foram outros. Em vez disso, entre as mulheres de 93 e 100 anos de idade, a aceleração na taxa de mortalidade chegou a uma parada brusca. Idosas  com idades entre 99 não tinham mais chances de morrer do que aquelas com 93 anos. Dessa fora foi observado cientificamente pela primeira vez o aumento da logevidade na era pós moderna.

Desde então, observa-se que a medicina preventiva, a adopção de um estilo de vida saudável, alimentação, exercício físico entere outros factores têm contribuído para acrescentar mais anos à vida. Hoje a longevidade é uma realidade. Contudo o que deve ser o centro das nossas indagações não são acrescentar anos à vida mas vida aos anos dos idosos. Por essa razão a Gerontologia Social avalia o Homem como um ser tridimencional no seu relacionamento inter/intra pessoal; relacionamento com o meio envolvente e o relacionamento com o Transcendente. É dessa forma que o Homem é estudado e avaliado como um todo.