sexta-feira, 20 de maio de 2011

O regime alimentar ideal para um envelhecimento saudável

Muitos têm procurado nos suplementos alimentares da dietéticas uma forma de combater os efeitos naturais do envelhecimento. Recorrem-se a dietas que na maior parte das vezes causam mais danos para o corpo que benefícios. Embora nunca é tarde para cuidar da saúde, é extremamente importante salientar que segundo Brize e Vallier (1985), e Marujo (2009) " o envelhecimento começa [...] imediatamente após a fecundação do óvulo". Assim entende-se que o processo do envelhecimento é contínuo ao longo da vida sendo também uma característica do ser vivo.
Seguindo este ponto de vista a melhor forma de obter benefícios de um regime alimentar ideal para um envelhecimento saudável é começar o quanto antes. É por esse motivo que a Gerontologia Social não tem universo de acção voltado para todas as idades. 

De todas as literaturas que lí sobre o tema em questão, apreciei o comentário do Dr. Alberto Pereira da Silva, em seu guia de "Estudos para uma melhor saúde global". 

"Para ter uma bonita tez é necessário um regime alimentar variado e rico em frutas e legumes. Na medida do possível, estes devem ser consumidos crus, ralados ou cortados finos. Para as saladas deve preferir-se o azeite, o sumo de limão e as ervas aromáticas vulgares. 

Uma alimentação isenta de chocolate, café, chá, condimentos, gorduras animais e álcool, favorece o aspecto de um uma pele saudável, na medida em que o fígado desempenha as suas funções desintoxicantes sem a sobrecarga que aquelas substâncias lhe acarretariam, se fossem consumidas. A moderação [...] dos produtos feculentos (grão, feijão, lentilhas, por exemplo) de amidos e a redução de açucares, também é aconselhada. Tudo isso, é claro, num ambiente de boa disposição emocional e física". 



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Actividade Física para Idosos

Um dos maiores desafios a nível da saúde física que a maior parte dos idosos reclamam estão relacionadas com as dores musculares, a perda da elasticidade e o esgotamento físico. Estas debilidades são relevantes para gerontologia, pois podem ser verdadeiros obstáculos para o desenvolvimento do bem-estar biopsicossocial. 

Como forma preventiva e mesmo curativa, a Prof. Dra. Marta Botelho desenvolveu a orientação de actividade física que se segue. Deve-se ter em consideração que a melhor forma de praticar uma actividade física para evitar lesões e corrigir a postura é sempre com a presença de um técnico qualificado.


1) Posição: Sentado na cadeira, tronco baixo a 90 graus, braços soltos e ao longo do corpo, segurando um peso de 1 kg em cada mão.
Movimento: Elevar os braços estendidos lateralmente em 2 tempos e voltar à posição inicial. Repetir o exercício 8 vezes.
2) Posição: Em pé, pernas semi-flexionadas e segurando o bastão atrás das costas.
Movimento: Elevar os braços acima da cabeça em dois tempos e voltar em dois tempos. Repetir o exercício 8 vezes.
3) Posição: Em pé, pernas semiflexionadas e segurando um peso em cada mão. Mãos em direcção ao peito e cotovelos abertos para fora.
Movimento: Abrir lateralmente o antebraço segurando o peso e forçando os braços para trás em dois tempos e voltando à posição inicial em dois tempos. Repetir o exercício 8 vezes.
4) Posição: Em pé, pernas semiflexionadas, com o bastão entre os braços, apoiado pelos cotovelos atrás das costas, na altura da cintura.
Movimento: Flexionar o tronco a 90 graus à frente em 2 tempos, e voltar à posição inicial em 2 tempos. Repetir o exercício 8 vezes.

Marta Botelho
Professora de Educação Física

terça-feira, 17 de maio de 2011

A influência na música no envelhecimento

(Direitos de autor: APP- Associação Portuguesa de Psicogerontologia)

Os idosos que têm um maior nível de experiência musical apresentaram maiores pontuações em testes cognitivos, aponta um estudo publicado na edição online da revista “Neuropsychology”, sugerindo que as aulas de música podem ajudar a manter o cérebro saudável à medida que as pessoas envelhecem.

Investigadores do Centro Médico da Universidade de Kansas, EUA, separaram 70 adultos saudáveis, com idades entre os 60 e os 83 anos, em três grupos, de acordo com a sua experiência e formação musical (sem conhecimento musical, entre um a nove anos de aulas de música e pelo menos dez anos de estudos musicais). Mais de metade dos que tinham experiência musical estudou piano, cerca de um quarto tocava instrumentos de sopro, como a flauta ou o clarinete, e os restantes tocavam instrumentos de corda, percussão ou metais. 

Os participantes, que tinham níveis semelhantes de forma física e educação, e que não sofriam da doença de Alzheimer, foram submetidos a vários testes cognitivos. Aqueles que tinham maior experiência musical obtiveram melhores resultados nos testes de acuidade mental, seguidos dos que tinham menos estudos musicais e, finalmente, os que nunca tiveram aulas de música. Comparados com os que não eram músicos, as pessoas que tinham um alto nível de experiência musical obtiveram resultados muito superiores em testes cognitivos, nomeadamente nos que estavam relacionados com a memória visual espacial, com nomear objectos e com a capacidade do cérebro de se adaptar a informação nova (flexibilidade cognitiva).

Os benefícios da educação musical ficaram evidentes, mesmo naqueles que já não tocavam um instrumento, assinalaram os investigadores. De acordo com a nota de imprensa, a cientista Brenda Hanna-Pladdy, membro da equipa de estudo, “a actividade musical ao longo da vida poderá servir como um exercício cognitivo desafiador, fazendo com que o cérebro fique em melhor forma e seja mais capaz de acomodar os desafios do envelhecimento”. A investigadora acrescentou, explicando que “dado o estudo de um instrumento requerer anos de prática e de aprendizagem, talvez se criem ligações alternativas no cérebro que possam compensar o declínio cognitivo quando envelhecemos”. in ALERT Life Sciences Computing, S.A. 13.05.2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Envelhecer activo

Uma das formas de desenvolver um envelhecimento bem-sucedido é fomentar meios para manter-se activo durante todas as etapas da vida. Contudo para aqueles que não tiveram uma vida dinâmica podem ainda promover o seu envelhecimento saudável. Nunca é tarde para começar.

Conheça a si próprio.Como seres humanos somos tendenciosos a valorizar os talentos dos outros e menosprezar os nossos. O conhecimento dos nossos talentos é fundamental para o desenvolvimento da auto-estima. É preciso ter uma definição das nossas capacidade e realçar o que gostamos de fazer. Por exemplo: cozinhar, nadar, pintar, jogar futebol, tecer, pintar, entre outros. Nem todos sabem pintar uma tela, ou preparar um jantar espectacular, mas cada um tem um talento especial. Ford (2004) sugere que façamos uma lista daquilo que mais apreciamos fazer e daquilo que gostamos menos. O mesmo autor afirma que aqueles que têm dificuldades de descobrir aquilo que mais gosta de fazer precisa de encontrar consigo próprio.

Depois de identificar os seus dotes naturais, associe-se com outros indivíduos que apreciam o mesmo tipo de hobby. Desenvolva o seu conhecimento técnico com o apoio de literatura para aprimorar o seu conhecimento e empenhe-se na actividade que escolheu. Não faça dessa actividade um passa-tempo, utilize-a como um projecto de vida. Dê assas à sua imaginação. Pense em grande. Abra os horizontes à sua volta, abra o seu coração para a novas experiências, crie laços e mantenha a fidelidade ao tempo estabelecido para exercer a sua actividade. Como escreveu Fernando Pessoa: "sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura".



 


segunda-feira, 9 de maio de 2011

A casa de banho ideal para os idosos

Como é do conhecimento comum, são inúmeros os acidentes que ocorrem com idosos no ambiente familiar. Dentre os locais de maior risco encontram-se as casas de banho devido ao facto de conjulgar pavimentos lisos, água, tapetes e electricidade.

Em seu livro Ergonomia no dia-a-dia, Rebelo (2004) apresente uma série de recomentadações especiais das quais passo a citar: 
  • um espaço livre de 2200mm por 2200mm, para que o utilizadores de cadeiras de rodas possam ter acesso por ambos os lados da sanita.
  • de preferência a porta deve ser de correr, com 800mm de largura, de modo a facilitar a sua abertura por pessoas que utilizem cadeiras de rodas. 
  • no caso de uma porta  normal, ela deve também ter uma largura mínima de 800mm, devendo abrir pelo menos a 90 graus para o exterior.
  • a altura dos lavatórios deve situar-se entre os 700mm e  os 800 mm da superfície do pavimento, devendo estar apoiados sobre poleiras. 
  • o pavimento deve ter bom escoamento de água e ser antiderrapante para evitar quedas. No caso de utilizar tapetes, escolha aqueles que sejam anti-derrapantes.
  • de modo a facilitar a manipulação, em particular por pessoas com dificuldades em agarrar, as torneiras devem ter um sistema de alavanca para abertura e fecho da água.
  • barras em tubo, montadas à volta da zona do chuveiro e situadas a 700mm do chão para apoio bilateral dos utilizadores.
  • o chuveiro deve ter uma cabeça movível em todas as direcções de modo a permitir do direcionamento do fluxo de água de acordo com as necessidades das pessoas.
  • utilização de apoios para elevação das sanitas com variação entre os 120mm e 170mm para proporcionar uma postura sentada mais elevada.
  • no tecto, não use lâmpadas suspensas por cabos. Estas devem estar fixas e isoladas da humidade.
  • as máquinas de barbear, os sacadores de cabelo e rádios não são à prova de água, devendo por isso estar posicionados o mais longe possível das torneiras e lavatórios.
  • tenha um telefone no espaço para banhos num local acessível, que possa utilizar em caso de emergência.  

domingo, 8 de maio de 2011

Um sumo de beterraba por dia

Embora não seja muito apreciada, a beterraba é uma raíz comestível rica em sais minerais, proteínas, vitaminas e açúcares. Contudo é poble em calorias. Muitos estudos do passado provaram que a beterraba é excelente no combate à anemia.

De acordo com a Revista Vida Natural e Equilíbrio o sumo de beterraba tem as seguintes características:
  • Tônico natural, refrescante e diurético; 
  • Aumenta a resistência física por até 16% de tempo a mais, pois o nitrato ajuda a reduzir o consumo de oxigênio, diminuindo a exaustão; 
  • Regulariza a pressão arterial; 
  • Fortalece os músculos do coração, devido o seu alto teor de sais de potássio e manganês;
  • Combate o reumatismo e a artrite.

 Para além dos benefícios apresentados, a Revista Sport Live nº 106 Edição 2011 informa que " um estudo concluiu que beber sumo de beterraba pode aumentar o fluxo sanguíneo no cérebro das pessoas mais velhas, reduzindo o risco de sofrer de doenças neurodegenerativas como demência, perda de memória, Alzheimer, etc. Já há alguns anos qe se conhece o seu efeito estimulador sobre as células, sendo conhecida entre os desportistas como a EPO vegetal devido à sua capacidade para aumentar a oxigenação e a regeneração celular. Esta é a primeira vez que se associa o consumo da beterraba à prevenção de doenças neurodegenerativas". 
 
O sumo de beterraba pode se tornar mais saboroso quando se adicona sumo de limão ou uma maçã. Contudo é preciso ter uma atenção especial com as pessoas diabéticas. Antes de começar a fazer uso do sumo de beterraba consulte o seu médico.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A doença no paradigma gerontológico

Ao contrário da geriatria, a gerontologia desenvolve competências sociais para entender os efeitos da doença na sociedade com o objectivo de apresentar aos consulentes um novo estilo de vida a fim de promover o bem-estar psicossomático. No âmbito da doença, esta pode ser encarada sob um prisma positivo, de caracter biopsicossocial, como passo a expor:

Biológico: A doença é um caminho utilizado pelo corpo para chamar a atenção que algo vai mal. É necessário fazer mudanças. Isto não pode ser encarado meramente como uma forma exotérica de abordar a doença mas como diz o provérbio pupular, "nós colhemos aquilo que semeamos".

Social: O facto de estar doente poderá permitir que a investigação sobre a patologia venha trazer a solução do problema, culminando na cura e ou prevenção para outras pessoas num futuro próximo ou a longo prazo.

Psicológico: A doença é apresentada como mecanismo que leva o indíduo a desenvolver competências resilientes, crescendo assim com a nova experiência.

domingo, 1 de maio de 2011

A saúde dos cuidadores familiares

Como salientou Paúl, Fonseca et al (2005) “cuidar faz parte da história, experiência e valores da família”, e diversos estudos apontam para a necessidade dos idosos permanecerem no seio familiar para que possam usufruir a sua velhice com melhor qualidade de vida em todos os seus aspectos. Esta posição não deve ser tomada como medida padrão para todos os casos. 

White (2005) é enfática ao afirma que “o quanto possível, façam que aqueles cuja cabeça está alvejando e cujos passos trôpegos indicam que se vão avizinhando a sepultura permaneçam entre amigos e relações familiares”. (itálico acrescentado). Nota-se que a autora salienta uma brecha de adaptação. Contudo não sem o mesmo grau de importância é também a promoção da saúde física, mental e social do cuidador familiar. 

Figueiredo (2007) aponta uma lista de carências referentes aos cuidadores familiares tais como: “necessidade de apoio financeiro, ajudas técnicas, necessidade de tempo livre, necessidade de formação e informação”.  

Figueiredo (2007) afirma a necessidade, por vezes, o cuidador familiar ser “dispensado das tarefas e responsabilidades, ficando com tempo para si”. Isto inclui tempo livre que pode ser entendido como horas, dias ou mesmo semanas. Tempo, segundo o qual o cuidador poderá fazer a sua higiene mental e tratar de assuntos pertinentes à sua própria vida ou mesmo desfrutar de férias.  Somente assim estará apto a desempenhar as suas funções com o devido carinho e respeito que é fundamental para quem dar e quem recebe cuidados. 



domingo, 24 de abril de 2011

Como utilizar Aspartame e outros adoçantes

Devido ao estilo de vida adoptado de muitos, cada vez mais surgem pessoas mais jovens com diabetes. Como é do conhecimento comum, a diabetes não mata, mas implica uma mudança no regime alimentar para melhorar a qualidade de vida e travar os efeitos da patologia. Não obstante o abuso de adoçantes tem proliferado de tal forma tanto por indivíduos diabéticos como por aqueles que fazem as suas próprias regras de dieta. A utilização do aspartame também é comum em muitos produtos dietéticos.  

Muitos investigadores fazem uma ligação entre a utilização de aspartame com proliferação do cancro. Esta foi uma das conclusões do professor John Olney,  publicado em 1996 no Journal of Neuropathology and Experimental Neurology. Segundo esta investigação desde o aparecimento do aspartame no mercado americano em 1981 houve um aumento considerável da incidência de tumores cerebrais nos utilizadores.  

Contudo, a nutricionista Dra Ester Herta de Castro propões as seguintes indicações para a utilização segura do aspartame que pode ser utilizada para outros adoçantes: 

"Limite diário seguro de ingestão de aspartame: 40 mg por kg de peso. Complementando a resposta gostaria de acrescentar o seguinte: O aspartame perde a doçura quando é submetido a altas temperaturas. Por esse motivo, sugere-se que seja utilizado em alimentos e líquidos após a retirada do fogo. É contra-indicado para portadores de Fenilcetonuria, uma anomalia que é diagnosticada geralmente no nascimento (pelo teste do pezinho). Pela mesma razão, também se desaconselha o uso por mulheres grávidas".



QUANTIDADE DE ASPARTAME
Adoçantes
Refrigerantes diet/light
Sucos em pó
LIQUIDO
1 gota = 5mg
EM PÓ
1 sache = 50 mg
Cada 100 ml = 12 mg
Em 100 ml do suco pronto 28 mg



quinta-feira, 21 de abril de 2011

85 anos em pleno vigor

Hoje, dia 21 de abril, a soberana da Inglaterra comemora os seus 85 anos de vida. Como "proto" gerontólogo não posso deixar esta data passar em branco. Em seus fabulosos 85 anos de vida, a rainha da Inglaterra exibe uma saúde invejável, e uma jovialidade incrível devido ao seu estilo de vida saudável. Em contraste temos a sua irmã mais jovem com saúde precária que faleceu alguns anos atrás. Não é só ter "bom genes" é preciso fazer escolhas certas! 
Aos 85 anos sua majestade conduz o seu jeep e faz longas caminhadas pelas montanhas da Escócia, para além das suas actividades políticas e sociais. 
Fica para todos nós um exemplo. Durante o processo do envelhecimento que ocorre ao longo da vida, vamos fazendo as nossas escolhas e o resultado é "transformar ou deformar" com o tempo. 

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Hipertensão arterial

Resultado de imagem para hipertensão arterialFala-se muito de pessoas com hipertensão arterial, principalmente idosos. Encontrei um artigo simples e bem esclarecedor escrito por Belina Nunes no livro "Envelhecer com Saúde": 
" A tensão arterial corresponde à contracção e relaxamento do coração no bombeamento do sangue. Sim, a tensão arterial sistólica é a medida correspondente à  força com que o coração se contrai e impulsiona o sangue contra as paredes arteriais, provocando nestas uma expansão. Ou seja, é a pressão máxima a que as paredes arteriais são sujeitas à passagem do sangue.  A tensão arterial diastólica é a medida que se obtém no período de relaxamento do coração e retraimento das artérias, imediatamente após o bombeamento do sangue. Ou seja, é a pressão mínima a que as artérias estão sujeitas após ter passado o sangue. Fala-se em hipertensão arterial quando existe pressão extra do sangue nas paredes das artérias no momento da contracção do coração e/ou no período entre contracções" . Nunes ( 2008).
Numa análise superficial vemos a importância da gerontologia social na promoção de uma vida saudável nomeadamente na fomentação de actividade com o objectivo de desenvolver mobilidade físicas, auto-controlo e espiritualidade tendo em vista prevenir e combater a hipertensão arterial que tem sido uma das grandes causadoras de morte em nosso país.  

Hipertensão arterial

Resultado de imagem para hipertensão arterialFala-se muito de pessoas com hipertensão arterial, principalmente idosos. Encontrei um artigo simples e bem esclarecedor escrito por Belina Nunes no livro "Envelhecer com Saúde": 

" A tensão arterial corresponde à contracção e relaxamento do coração no bombeamento do sangue. Sim, a tensão arterial sistólica é a medida correspondente à  força com que o coração se contrai e impulsiona o sangue contra as paredes arteriais, provocando nestas uma expansão. Ou seja, é a pressão máxima a que as paredes arteriais são sujeitas à passagem do sangue.  A tensão arterial diastólica é a medida que se obtém no período de relaxamento do coração e retraimento das artérias, imediatamente após o bombeamento do sangue. Ou seja, é a pressão mínima a que as artérias estão sujeitas após ter passado o sangue. Fala-se em hipertensão arterial quando existe pressão extra do sangue nas paredes das artérias no momento da contracção do coração e/ou no período entre contracções" . Nunes ( 2008).

Numa análise superficial vemos a importância da gerontologia social na promoção de uma vida saudável nomeadamente na fomentação de actividade com o objectivo de desenvolver mobilidade físicas, auto-controlo e espiritualidade tendo em vista prevenir e combater a hipertensão arterial que tem sido uma das grandes causadoras de morte em nosso país.  

domingo, 17 de abril de 2011

Por que os idosos sentem dificuldade em realizar múltiplas tarefas



Publicado na " Proceedings of hte Natural Academy of Sciences" 14/04/ 2011 
e no site Alert Life Sciences Computing, S.A.  
Indicado por Prof. Doutor Joaquim Parra Marujo - Director do Curso de Gerontologia Social da Escola Superior de Educação João de Deus. 

“Investigadores americanos desvendaram a razão pela qual os idosos têm mais dificuldade em realizar múltiplas tarefas do que os adultos mais jovens. O estudo publicado no “proceedings of the Natural Academy of Sciences” dá conta que os idosos apresentam maiores dificuldades em alternar entre tarefas ao nível do circuito neuronal.

A realização de múltiplas tarefas exige memória a curto prazo ou memória de “trabalho”. Este tipo de memória é a base de todas as operações mentais, desde a aprendizagem de um número de telefone, até à realização de tarefas complexas, tais como o raciocínio, a compreensão e a aprendizagem.

Para este estudo, os investigadores da University of California, em São Francisco, EUA, submeteram adultos jovens e mais velhos, com uma média de idades compreendida entre os 24,5 e os 69,1, respectivamente, a um teste que envolvia a realização de múltiplas tarefas para avaliar a memória de curto prazo. Todos os participantes foram submetidos a uma ressonância magnética funcional de forma a identificar a actividade no circuito e na rede neuronal.

Aos participantes foi pedido que visualizassem uma cena durante cerca de 14,4 segundos e que a memorizassem. A visualização era interrompida pela apresentação de um rosto, do qual os participantes tinham de determinar a idade e o sexo. Seguidamente, os participantes eram convidados a relembrar a cena original.

Tal como esperado, os indivíduos mais velhos tiveram maior dificuldade em manter a memória da imagem original. A análise à ressonância magnética funcional explicou porquê. Quando os participantes foram interrompidos, os seus cérebros desligaram o circuito de manutenção de memória e realocaram recursos neuronais para o processamento da interrupção. Enquanto os adultos mais jovens conseguiram restabelecer a ligação com o circuito de manutenção de memória após a interrupção, os adultos mais velhos não conseguiram libertar-se da interrupção nem restabelecer o circuito neuronal associado com a memória.

Os investigadores liderados por Wesley C. Clapp concluem assim que a capacidade para ignorar as distracções ou informação irrelevante, diminui com a idade e esta afecta a memória de curto prazo".

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Os desafios da longevidade


Por Fernanda Colovan

Hoje em dia vemos muitas pessoas vivendo longevamente, e atribuímos este fato em grande parte às descobertas da medicina. É comum dizer que a expectativa de vida será cada vez maior.

No entanto, é preciso considerar um elemento importante para a longevidade dos actuais idosos que nos rodeiam: eles certamente são beneficiados com a tecnologia médica mas VIVERAM SUA INFÂNCIA E JUVENTUDE NO MUNDO DE ANTIGAMENTE, mais lento, menos poluído, mais activo fisicamente, mais ativo na reflexão e na capacidade de refrear seus impulsos. Hoje, por outro lado, com toda a tecnologia, as doenças novas imperam, derivadas de um estilo de vida pior e mais stressado: obesidade, stress, hipertensão, problemas cardíacos, maior índice de câncer, e outras doenças mais...
Sendo assim, não poderíamos nos perguntar se aumentando a idade da reforma agora, baseando-nos no aumento actual da expectativa de vida, em pouco tempo não teremos problema reverso sem o mesmo empenho social e político para reversão? Não acho que será necessário muito tempo para verificar-se essa inversão no gráfico de aumento de longevidade. Aliás, neste sentido há tantas outras pesquisas indicando o aumento de morte precoce em face do aumento das doenças derivadas de estilo de vida, ou ainda pior, um aumento também da quantidade de pessoas que se utilizam das pensões por invalidez em face destas mesmas doenças... 
É para se pensar...

domingo, 10 de abril de 2011

Onde o idoso deve passar a velhice?

As alterações estruturais nos modelos familiares e o novo estilo de vida da sociedade actual tornam muitas vezes impossível uma atenção directa e um acompanhamento personalizado aos idosos em família. 

Uma pergunta pertinente que surge é: Será que o afastamento dos idosos das estruturas familiares não acarreta problemas sociais e psicológicos complexos? Qual o motivo que leva uma pessoa idosa ser forçada a viver onde ela não quer viver? 

A minha experiência no universo da gerontologia confirma o curto período de tempo que o idosos vivem depois de si tornarem institucionalizados. Olievenstein  salienta que os idosos “medem a sua esperança de vida por comparação” desencadeando assim o fenómeno da morte em curto espaço de tempo após ser institucionalizado. Olievenstein também afirma que as respostas sociais “ainda que de luxo” podem muitas vezes ser classificadas como “ ante-câmaras da morte”.  

Ellen White (2005, pag. 57) propõe que “ sejam eles [os idosos] ajudados no próprio lugar, onde podem sê-lo. […] o quanto possível, façam que aqueles cuja cabeça está alvejando e cujos passos trôpegos indicam que se vão avizinhando a sepultura permaneçam entre amigos e relações familiares”. 

Não obstante, deve-se entender e valorizar a importância do serviço que os lares e outros equipamentos de acolhimento para pessoas idosas têm prestado à nossa sociedade no que se refere ao acolhido de centenas de idosos que perderam os seus vínculos familiares e têm no apoio formal o único tipo de  relação familiar que eles tanto necessitam.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Frase do dia

Esta foi a frase que mais apreciei hoje na faculdade, dita pelos meus professores de psicopatologia e psicologia da saúde:

"Numa situação de crise só há duas opções: chorar ou vender lenços"  Saraiva e Fisher (2011)

Tranquilo sim. Tranquilizado não


No texto de Hermógenes, in “Saúde para a terceira idade,” lê-se:


Tratamentos à base de recursos e instrumentos externos têm produzido o homem tranquilizado. Só um autotreino antidistresse tem o poder de tornar o homem tranquilo.
Que deseja ser? Uma pessoa tranquila e liberta, ou um robot artificial, superficial e transitoriamente tranquilizado, mas dependente?

O autotreino, além de proteger contra o distresse, poderá mesmo, dependendo do seu desempenho, transformar o stresse em eustresse, ou seja, mudar radicalmente as coisas, em vez de perturbação e doença, encontrará euforia, eutimia e eurritmia, isto é, saúde e serenidade, vigor e tranquilidade. Para tão prometedor resultado, naturalmente que você terá de decidir, dedicar-se e disciplinar-se. Mas vale a pena.”

Nesta época de crise avassaladora que assola as economias e deixam as nossas finanças de rastro, o melhor seria seguir este método apresentado por Hermógenes e evitar a utilização de remédios que combatem a irritabilidade, o medo, a insónia, o pânico, a agitação, a inquietude e outros. Talvez Homógenes estava a pensar nos “frutos do espírito” que tão bem salientou o Paulo em sua carta aos Gálatas quando escreveu: “ os frutos do Espírito são: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, e domínio próprio (…)      Gálatas 5:22 a 23 

domingo, 27 de março de 2011

A sexualidade da pessoa idosa

Com o florescer da gerontologia começou-se a questionar a sexualidade da pessoa idosa de uma forma mais responsável e respeitável. Entretanto há ainda um grande percurso a ser desbravado. O preconceito acerca da sexualidade dos mais velhos inicia-se na própria família. Os jovens olham para os velhos como seres assexuados.

Muitos autores de renome classificam a velhice como a fase da vida onde ocorre as “perdas”ou a “retrogénese”. Embora estas abordagens tenham os seus devidos valores, elas vêem a velhice de uma forma menos optimista. O processo do envelhecimento e a fase da velhice, especialmente, deve ser encarado numa óptica positiva de desenvolvimento e não como uma mera perda. Isto tem sido uma vitória da gerontologia de mãos dadas com a psicologia positiva. Assim como a infância, a juventude e a adultícia, a velhice também tem as suas perdas e ganhos.

Leite (2010) apresenta a definição de sexualidade proposta pela OMS como “energia que nos leva a procurar amor, contacto, ternura e intimidade, que se integra na forma como nos sentimos, movemos, tocamos ou somos tocados”.  Nestes parâmetros os mais velhos podem usufruir de um leque muito mais alargado no que se refere à sexualidade. Na idade mais avançada não há temores com a ejaculação ou orgasmo precoce e a concepção indesejável. O acto sexual no grupo etário mais avançado pode ser visto como momento dedicado à atenção, ao carinho, ao amor, ao toque e ao prazer de estar junto com a pessoa amada.

Por outro deve-se ter em conta as pessoas que não se enquadraram ainda no seu novo paradigma. Quando abordou o comportamento sexual abusivo e criminoso de alguns idosos condenados a prisão por violar outros idosos Hermógenes (2002) classificou estes indivíduos como “homo eróticus”. Segundo este autor o “homo eróticus” é “ignorante e egoísta, vencido pela compulsão sexual, faz a sua própria desgraça e a de outras pessoas”.

Para Jung a velhice deve ser abordada como oportunidade que o indivíduo tem de abandonar o material e passageiro a abraçar o transcendente, actuando não com o pensamento sobre o que pode ganhar mas sua atenção especial deve ser o que pode fazer para dar e ser útil. Neste ponto de vista a sexualidade da pessoa idosa pode ser encarada como um dom sublime.        

terça-feira, 22 de março de 2011

A medicina do futuro... e do presente

Pelo Dr. Samuel Ribeiro Director da Revista Saúde e Lar


"A medicina de amanhã é a prevenção”, de acordo com o provérbio que diz: “um grama de prevenção é melhor do que uma tonelada de cura”. Estas palavras escritas, há alguns anos, pelo antigo director geral da OMS, Dr. Hiroshi Nakajima, serão talvez o melhor dos alertas quando iniciamos a tão desejada e temida, por muitos, escalada de um novo tempo. Ao fim de quase sessenta anos de publicação é também a confirmação da justeza da posição da Saúde e Lar desde a primeira hora.
As modernas descobertas da medicina levaram muitos a pensar que os maiores problemas de saúde da humidade estariam resolvidos para sempre. Mas, bem pelo contrário, eles não param de aumentar. Até recentemente a humanidade dividia-se em: países ricos que já tinham vencido as doenças transmissíveis e se preparavam para derrotar as não transmissíveis como o cancro, as doenças cardiovasculares e outras próprias das sociedades desenvolvidas, e países em desenvolvimento onde as doenças endémicas transmissíveis, a malária e a pobreza faziam e fazem as suas razias.
Hoje, no século XXI, as coisas mudaram. É verdade que muitos países mudaram. É verdade que muitos países em desenvolvimento têm feito progressos no combate às doenças infecciosas e à malnutrição. Mas a urbanização e industrialização rápida desses países, a par da adopção de estilos de vida modernos mas errados, têm vindo a fazer aumentar a incidência das doenças das doenças não transmissíveis. Assim, novos problemas têm aparecido antes que os antigos estejam resolvidos. Um exemplo típico, entre nós, é o progressivo abandono, sobretudo pela juventude, da nossa alimentação tradicional tipo mediterrânico, por uma alimentação desequilibrada e com excesso de carne e de gorduras. As consequências no aumento das doenças cardiovasculares e do cancro já se estão a começar a sentir.   
O progresso socioeconómico tem melhorado as condições de vida de melhores de pessoas. Mas ao mesmo tempo a adopção de estilos de vida desaconselháveis (alimentação errada, stress, tabaco e falta de exercício) por muitas dessas pessoas tem-lhes trazido um risco acrescido de mortalidade em muitas doenças. A ciência mostra claramente que a prevenção das mais importantes doenças não transmissíveis (cancro, doenças cardiovasculares, diabetes, osteoporose) só é possível se se adoptarem estilos de vida saudável. Essas doenças têm grande parte das suas raízes em factores que os seres humanos criam e que só eles podem controlar.
Um dos mais importantes factores da saúde é a alimentação. Alguém disse que uma alimentação correcta representa 80% da saúde. Há evidências cada vez maiores de que uma dieta sem utilização de alimentos ou gorduras animais é um factor fundamental para se poder ter uma vida mais longa e mais saudável.
Termino com uma frase do professor Fernando Pádua, uma personalidade médica que é uma referência quando se fala em prevenção: “a saúde pode não ser tudo, mas sem ela o resto é quase nada”. 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Estabelecer Sintonia


O bom desenvolvimento de relações interpessoais é um dos elementos chaves para o sucesso de uma vida profissional, pessoal e comunitária. No âmbito da gerontologia social é imperativo o desenvolvimento da sintonia com os idosos e cuidadores com os quais iremos interagir. É somente através da cumplicidade e amabilidade que somos capazes de desenvolver relações. 

Todos nós já tivemos a oportunidade de observas filhos parecidos com os mais não somente fisicamente mas na forma de andar, amigos que de uma certa maneira vestem-se de uma forma semelhante, casais que ao longo dos anos tornam-se muito parecidos e cães e donos que muito se assemelham. Vemos também uma grande cumplicidade na natureza à nossa volta. Estes são alguns exemplos de sintonia entre tantos que podemos mencionar. 

Boothman (2008) sugere que "a sintonia é o estabelecimento de um território comum, de uma zona de conforto na qual duas ou mais pessoas se podem unir mentalmente. Quando existe sintonia, cada um de nós traz algo à interacção - atenção, calor, sentido de humor, simpatia, possivelmente duas ou três excelentes anedotas. A sintonia é o lubrificante que permite que as interacções sociais fluam com suavidade". 

O mesmo autor admite, através dos seus estudos, que a recompensa é de grandeza tal que quebra todos os  "gelos" de um relacionamento casual.  "O prémio, quando se atinge a sintonia, é a aceitação positiva da outra pessoa. Esta resposta não se traduzirá em tantas palavras, mas assinalará algo como isto: "eu sei que ainda agora te conheci, mas gosto de ti, por isso vou-te confiar a minha atenção." Por vezes, a sintonia acontece simplesmente por si própria, como que por acaso; outras vezes, temos que lhe dar uma mãozinha. Se acertarmos, a comunicação pode ter início. Se falarmos, vamos ter que batalhar pela atenção da outra pessoa".

Em seu estudo sobre a sintonia, Boothman (2008) postula a existência de três formas de sintonia: A "sintonia natural" que passa pela simpatia ou carisma que desenvolvemos naturalmente com as pessoas com as quais interagimos em nossa vida diária, a "sintonia ocasional" que desenvolvemos em ocasiões ou situações  específicas como eventos, viagens entre outros. E finalmente a "sintonia planeada". Esta é desenvolvida quando há um interesse mútuo ou individual. Neste caso o agente interessado necessita derrubar preconceitos e outras barreiras sociais para "reduzir as distâncias e as diferenças" conforme salienta Boothman (2008). 

É somente através destes princípios que poderemos combater a exclusão social e promover a interacção do indivíduo na sociedade. Não obstante o primeiro passo deve sempre partir de nós próprios. "A chave de estabelecer sintonia com estranhos é aprender de que forma nos podemos tornar como eles". 




segunda-feira, 14 de março de 2011

A arte de envelhecer

Envelhecer é uma característica inerente do ser humano. Ermida (1999) define o envelhecimento como “...processo de diminuição orgânica e funcional, não decorrente de acidente ou doença e que acontece inevitavelmente com o passar do tempo”.  Não obstante muitos estudiosos como Bize e Vallier (1985) e Marujo (2009) postulam que o processo do envelhecimento ocorre a partir da fecundação. 

Para Stanhope e Lancaster (1999)   “…O envelhecimento é um processo normal que não é bem compreendido e, ao longo dos anos, têm surgido mitos a ele associados. Alguns dos mitos comuns implicam a percepção de que todos os idosos são débeis, senis, surdos, que não conseguem adaptar-se à mudança…”

A nossa sociedade ocidental de cultura consumista crê-se que o que é velho deve estar fora de uso ou ultrapassado. Contudo a história regista grandes vultos do passado que tiveram maior capacidade criativa na velhice que na idade jovem. Entre estes destacamos:


Concluo com o poema Envelhecer de Saul Dias, in “Essência”

É bom envelhecer!

Sentir cair o tempo,
magro fio de areia,
numa ampulheta inexistente!

Passam casais jovens
abraçados!...

As árvores
balançam novos ramos!... 
 E o fio de areia a cair… a cair…