segunda-feira, 1 de agosto de 2011

o fenómeno da comparação entre os idosos

Os idosos de uma forma muito peculiar exercem a sua capacidade de observação e comparação com grande mestria. Às vezes este acto é feito de uma forma inocente, mas também pode ser acutilante, mesquinho e até mesmo ofensivo. Quantas vezes não se tem relatado discussões e insultos onde haja aglomerações de idosos e tudo isso tendo como causa inicial uma comparação que gerou inveja!

Este tipo de sentimento pode causar danos muito mais severos para um envelhecimento saudável do que se possa imaginar. Segundo Barrows (2010, pag. 35) se o sentimento da inveja não for definitivamente eliminado da personalidade do indivíduo, ela poderá reaparecer quem qualquer estágio da vida, inclusive na velhice, e “voltará a emergir em período de stress e terá de ser objecto de uma nova elaboração para que os sentimentos criativos e positivos possam vir a prevalecer”.
De acordo com Melgosa (2010, pag. 9) “os estados emocionais negativos, como ódio, preocupação, receio, raiva e ciúmes, provocam reacções fisiológicas imediatas.” Estas reacções desencadeiam mal-estar que por sua vez tornam-se em perturbações cardíacas, digestivas e psicológicas.
A comparação é sem dúvidas uma forma de barómetro para verificar a sua condição física, a sua capacidade mental e a partir dos elementos adquiridos os gerontes podem fazer uma avaliação do seu estado físico, emocional e das suas capacitações e até mesmo questionar quanto tempo de vida ainda lhe resta.

Em todas as etapas da vida o indivíduo segue um padrão de referência. As crianças comparam o seu crescimento entre si, os pré-adolescentes comparam o desenvolvimento do seu corpo, os jovens comparam os seus namoros e os mais adultos comparam a sua capacidade de procriar, a sua casa e o carro. Segundo esta linha de pensamento, o fenómeno da comparação é inerente ao ser humano. Se o mesmo não ocorresse entre os idosos poder-se-ia arriscar dizer que nesta etapa da vida o indivíduo começava a perder a sua humanização.

Entretanto o processo de comparação pode ser desenvolvido de uma forma positiva e madura. Os idosos podem e devem ser influenciados a ter uma vida mais saudável e activa e nesse sentido o processo de comparação pode ser uma ferramenta extremamente importante. 

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Idosos Psicologicamente dependentes

Os idosos psicologicamaente dependentes são indivíduos que podem ser classificados no grupo dos que mostram-se na maioria das vezes passivos. Os idosos psicologicamente dependentes não podem ser classificados com os idosos com dependência física. Estes adoptaram uma posição passiva, iniciando o processo da delegação de poderes com pequenos actos dia após dia. Até chegarem ao ponto de não serem capazes de tomar decisões por si próprios. São cautelosos com contactos novos, mostrando-se desconfiados. São extremamente optimistas e pouco realistas. A aposentação livra-os da responsabilidade e não sentem nenhuma disposição para qualquer tipo de actividade.

Em muitas situações em que haja uma situação latente de dependência psicologia do idoso no que se refere a tomada de decisões há um certo risco do abuso de poder por parte do cuidador formal ou informal. Já no Seminário Internacional sobre o envelhecimento humano sediado em Lisboa (“Env” 1997) foi definido que “nesta perspectiva, a relação entre as pessoas idosas e estes profissionais é uma relação de poder, na qual um dos lados – a pessoa idosa – tem menos oportunidade de concretizar os seus próprios interesses do que a outra – o profissional. (...) E aquele que se sente dependente vai adaptar-se, vai entregar a outros o controle da sua vida, tornando-se assim cada vez mais dependente.”

O que se observa é a necessidade iminente da conscientização quer por parte do cuidador quer por parte do idoso no desenvolvimento e na aposta de um envelhecimento bem sucedido através a aceitação das responsabilidades que fazem parte do desenvolvimento. A este fenómeno chamamos empowerment ou à moda portuguesa “delegação de poderes”. Embora o idoso sinta-se cómodo em transferir as suas responsabilidades para o cuidador (formal ou informal) o cuidador pode sentir por outro lado, o vício pelo poder. Isso pode tornar-se um círculo vicioso e aliciante para ambos.

O empowerment está relacionado com na capacidade de autodeterminação, com o conceito de liberdade para envergar o papel de responsabilidade de nós próprios, usar dos próprios meios para expressar ideias, saber tomar decisões e influenciar o meio que nos rodeia. O fundamental é a necessidade de uma adaptação.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cova da Moura com Saúde - Finalistas em Gerontologia Social Fazem a Diferença

No passado dia 10 de Julho foi realizado, na Escola EB1 JI Cova da Moura,  um rastreio de saúde e bem-estar que teve a aderência de aproximadamente 300 pessoas.  

O desenvolvimento do projecto surgiu a partir dos alunos  Ana Cristina Neves, Luciano da Silva, Ruth Salvaterra e Sabrina Mestre. Todos licenciando em Gerontologia Social, pela (ESEJD) Escola Superior de Educação João de Deus , como resultado final do estágio de exclusão social no bairro da Cova da Moura, na Amadora.

Os alunos envolvidos no projecto contaram com a participação directa da Prof. Dra. Susana Couto, supervisora do estágio, e das  parceiras da ESEJD, AIT (Associação Internacional de Temperança e o Moinho da Juventude. Para a realização do Projecto foi indispensável o patrocínio de diversas empresas e instituições que graciosamente forneceram todo o material necessário para a realização do evento. Também foi extremamente importante a presença de um grupo de 75 voluntários que não mediram esforços para atender às necessidades dos habitantes da Cova da Moura.     

Foram realizados os seguintes exames por médicos, dentistas, enfermeiros e voluntários em geral: glicemia, tensão arterial, gordura corporal, visão, colesterol, forma física, capacidade respiratória e idade pela saúde. O Projecto Cova da Moura com Saúde contou também com a realização de 8 ateliês promotores de saúde dentre os quais destacamos: nutrição, hidratação, exercício físico, luz solar, ar puro, descanso, temperança e confiança.

O evento teve a cobertura dos média RTP África,  Rádio Clube de Sintra e Rádio Sim. A todos os que não mediram esforços para que o evento se tornasse uma realidade, o nosso mutíssimo obrigado. 














sexta-feira, 15 de julho de 2011

A nossa atitude diante da saúde e da doença

Como diz o ditado popular “a saúde é o bem maior”. No entanto, de uma forma geral, pouquíssimo valor se dá à saúde. De facto a saúde só é acariciada quando a doença toma lugar e se estabelece na vida do indivíduo. Podíamos arriscar em afirmar que entre a saúde e a doença só existe uma fina linha que separa os dois mundos, as duas experiências.
Quase ou nenhum valor se dá à experiência de cultivar a saúde pois isto exige disciplina, altera a nossa forma de estar no mundo. A regra geral é que todos querem estar saudáveis mas poucos são os que estão dispostos a submeter-se a um modelo de vida que promova a saúde.

Por outro lado, a experiência de estar doente é um acto único. Todos nós podemos adquirir a mesma doença, mas cada um de uma forma muito peculiar apresentará a sua própria experiência pois cada um de nós somos seres únicos e singulares. A experiência de estar doente está relacionada com diversos factores que envolvem a nossa vida diária. Dentre os quais destacamos a nossa vida social, o meio em que vivemos, a nossa cultura, crenças e o nosso estilo de vida. Tudo isto de uma forma ou de outra contribui para o nosso desenvolvimento positivo ou negativo da homeostase. 

É urgente aproveitar os dias bons e cultivar a alegria e o optimismo que para além de colocar o sorriso em nosso próprio rosto e nos rosto de quem nos vê, reflecte em saúde física, mental e espiritual. Como sublinhou Ellen White in  A ciência do bom viver: "o ânimo, a esperança, a fé, a simpatia e o amor promovem a saúde e prolongam a vida. Um espírito contente, animoso, é saúde para o corpo e força para a alma". 


domingo, 3 de julho de 2011

A Incontinência Urinária

A incontinência urinária  não escolhe idade. Não obstante é mais frequente entre as crianças e os idosos. As causas podem variar de pessoa para pessoa dependendo do tipo de patologia físico ou psíquico.
Segundo o Manuel Merck "aproximadamente uma em cada três pessoas de idade avançada tem problemas em controlar a sua bexiga; as mulheres têm o dobro de probabilidades dos homens em se verem afectadas. Mais de 50 % dos residentes nos asilos de idosos sofrem de incontinência. A incontinência urinária pode ser um motivo para internar pessoas de idade avançada e contribui para o desenvolvimento de feridas provocadas por pressão (úlceras por pressão), de infecções do rim e da bexiga e de depressão. A incontinência urinária também cria situações embaraçosas e frustração". Embora seja um problema latente, a grande parte dos indivíduos que sofrem de incontinência urinária não procuram ajuda médica.  
O Manual Merk identifica diversos tipos de incontinência urinária: 
  • incontinência por urgência (ou impetuosidade)  é um desejo urgente de urinar seguido de uma perda incontrolável de urina.
  •  A incontinência por esforço é uma perda incontrolável de urina ao tossir, fazer esforços, espirrar, levantar objectos pesados ou executar qualquer manobra que aumente bruscamente a pressão dentro do abdómen.
  • incontinência por extravasamento é a fuga incontrolada de pequenas quantidades de urina estando a bexiga cheia. A fuga ocorre quando a bexiga está dilatada e insensível devido à retenção crónica da urina.
  • incontinência psicogénica é resultado de uma incontinência cuja origem é mais emocional que física. Ocasionalmente ocorre nas crianças e inclusive nos adultos que têm problemas emocionais.
  • A incontinência total é a situação em que a urina goteja constantemente da uretra, dia e noite. Verifica-se quando o esfíncter urinário não se fecha adequadamente.  
A incontinência urinária é curável se for submetida a uma intervenção médica e a uma reeducação psicossocial. A psicoterapia pode mostrar-se útil, particularmente no que se refere à informação do indivíduo  em como aplicar as técnicas para evitar o descontrolo dos esfíncteres em situação de stress

A adopção do estilo alimentar saudável também pode ser um factor importante para combater ou evitar a incontinência através da abstinência de bebidas que provocam a irritação da bexiga e a utilização correcta do uso água ao longo do dia em vez de beber grandes quantidades de uma única vez.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os Benefícios da Acupressura

A acupressura é uma das muitas terapias de relaxamento e massagem que visam promover a saúde e o bem-estar de uma forma natural. Esse tipo de massagem é aplicado com as pontas dos dedos, mãos e cotovelos. O técnico trabalha essencialmente as zonas do corpo onde há dores e os pontos meridianos tendo em vista desbloquear os nódulos e promover a circulação sanguínea eficaz. Infelizmente este tipo de terapia tem sido banalizado por alguns técnicos exotéricos desvirtuando assim os objectivos fundamentais do tratamento.


Para Martins e Nunes (2011) a acupressura tem vários benefícios tais como: Relaxamento muscular;

  • Redução de ansiedade;
  • Aumento da circulação sanguínea;
  • Diminuição do stress;
  • Eliminação das dores de cabeça 
A edição especial da Revista Terapias de A a Z de Junho de 2011 informa que a acupressura ou digitopressura, como preferem alguns, "tem um efeito excelente na manutenção da saúde (...) tendo emc onta a sua natureza não invasiva é muito utilizada em crianças e idosos".  



domingo, 19 de junho de 2011

Conceito de Bem-estar psicológico

O conceito de bem-estar é subjectivo devido ao facto de sermos todos diferentes, de pensarmos de uma forma diferente e vivermos de uma forma diferente, ainda que numa mesma sociedade. Crescemos, aprendemos, tormano-nos adultos, e ao longo da vida vamos envelhecendo de uma forma diferente. Assim  a definição de bem-estar nunca é completamente igual para todos. Uns dos conceitos que mais apreciei sobre o bem-estar é o artigo de Ângela Leite, Constança Paúl, & Jorge Sequeiros Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e Instituto de Biologia Molecular e Celular, da Universidade do Porto: 

"O bem-estar psicológico tem sido objecto de estudo científico desde há um século. No passado a maior parte dos estudos definia “bem-estar” como significado de “não estar doente”, como uma ausência de ansiedade, depressão ou outras formas de problemas mentais. Outras concepções enfatizam as características positivas do crescimento e do desenvolvimento. (Bradburn, 1969). De acordo com Ryff (1995), o bem-estar psicológico é composto por seis componentes distintas, que são: (1) ter uma atitude positiva perante si próprio e a sua vida passada (auto-aceitação); (2) ter metas e objectivos que confiram significado à vida (objectivos de vida); (3) estar apto a lidar com as exigências complexas da vida diária (domínio ambiental); (4) ter um sentido de desenvolvimento contínuo e auto-realização (crescimento pessoal); (5) possuir vínculos de afecto e confiança com os outros (relações positivas com os outros); e (6) estar apto a seguir as suas próprias convicções (autonomia)".


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tristeza x Velhice

Por: Dra. Shirley de Campos

A tristeza não é consequencia da velhice. Quando o idoso apresenta apatia persistente em relação à vida, ele está doente. Pode estar com distmia - tristeza prolongada; os sintomas são semelhantes à depressão. O paciente está sempre melancólico, sem interesse por nada, não tem prazer em comer, passear ou se divertir. As atividades rotineiras passam a ser um estorvo.

Perda ou excesso de sono, mudança na alimentação, redução na capacidade de raciocinar e idéias suicidas. A ocorrência da depressão ou distmia pode chegar a 40%. Na depressão os sinais são mais claros enquanto na distmia a gradual evolução do desânimo marca a enfermidade.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Benefícios do Exercício Físico

Após um longo período de tempo em que foram criados vários mitos e tabus sobre a relevância do exercício físico, muito se tem descoberto nos últimos anos sobre os benefícios de um exercício físico seguro e equilibrado  e com um acompanhamento adequado.

O trabalho de investigação de Lemos e Santos (2008) apresentam o exercício físico como inbatível a qualquer "caixa de remédio". Para estes investigadores "além de fortalecer o coração, aumentar a capacidade pulmonar e dar à pessoa mais capacidade para as tarefas comuns do dia-a-dia, fazer exercício físico previne a osteoporose". 

O Dr. Sang Lee (2007) apresenta cinco razões para praticar exercícios físicos regularmente:  "..."
  1. Reduz as tensões: quando praticado sem pressões ou obrigação, o exercício descontraído alivia o stress porque aumenta a produção de B-endorfinas, responsáveis pelos sentimentos de alegria e satisfação.
  2. Ajuda a dormir: O exercício moderado, não exaustivo, favorece o sono.
  3. Diminui a pressão arterial: Após o exercício a quantidade de adrenalina diminui.
  4. Diminui o colesterol e as gorduras: O exercício físico metódico mostrou-se capaz de reduzir os níveis de colesterol e gordura saturada na circulação. Além de aumentar o bom colesterol, que protege as artérias. 
  5. Controla o peso: O controlo do peso não se realiza tanto pelo desgaste físico mas pelo controlo do apetite. Sua prática ajuda a recuperar os limites fisiológicos. Alé disso, a tiróide é estimulada a permanecer várias horas funcionando após o esforço físico acelerando o metabolismo. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A subjectividade da doença

Por Sonia Parucker
Hoje em dia há muitas pesquisas científicas, suficientes, que podem ratificar a afirmativa de que emoções positivas – aquelas que geram experiência agradáveis -  potencializam a saúde e ao contrário, as negativas – as que geram experiências desagradáveis – tendem a comprometê-la.
A psiconeuroimunologia, é uma dessas ciências, razoavelmente nova, que  dedica-se a pesquisas das relações entre as emoções e a imunidade, ou seja, em como a interação da mente com  os sistemas nervoso, imune e endócrino trabalha para manter o organismo equilibrado.
Quando esta interação é descompensada, por acontecimentos estressantes processados por meio de crenças e valores próprios de cada pessoa, o organismo sente e estados doentios começam a aparecer.
As investigações nessa área revelam que diversos estados doentios são frutos de desequilíbrios emocionais, tais como: inquietação, medo, choque, ansiedades, angústias, tristezas entre tantas outras.
O trecho abaixo, retirado da  entrevista da oncologista  Maria Belmira P. de A. Garcia, à Revista Saúde Preventiva, demonstra como as emoções negativas podem causar sérios transtornos orgânicos:
“ Quando as angústias não são digeridas, o corpo grita e exige uma mudança de atitude…..Todo sentimento e emoção sentidos precisam ser respeitados e compreendidos para não prejudicarem o corpo. É isso que levaria uma situação estressante a se transformar em um aviso do corpo, como uma dor de estômago. Sem dar a devida atenção, isso poderia virar algo mais sério como uma úlcera. E, se mesmo assim, as angústias não são “digeridas”, entendidas, aceitas, o corpo grita, podendo surgir então o câncer”.
Há pessoas que se vangloriam e acreditam piamente que conseguem  “controlar” suas emoções. Na verdade essa atitude chama-se “controlar o comportamento”, ou seja, elas se comportam adequadamente para não demonstrarem suas emoções negativas no social, o que não significa que essas emoções não estejam lá, sendo mascaradas.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Tipos de violência contras pessoas idosas

Com o aumento da longevidade e o novo paradígma da estrutura familiar devido às alterações sociais, a questão do envelhecimento humano é um dos maiores desafios para o século XXI. Neves (2010) postula que "entre 1960 e 2001 o fenómeno do envelhecimento demográfico traduziu-se por um decrécimo de cerca 36% na população jovem e um aumento de 140% da população idosa. 

Contudo o modelo social ocidental apresenta o mais jovem como o mais potente, mais gracioso, forte e desejado. Enquanto o mais velho é posto de lado como inadequado, fora de uso, fraco e sem valor. O contacto intergeracinal pode ser um dos elementos mais fortes na promoção de um envelhecimento bem-sucedido. Contudo, em muitos casos, tem se tornado motivo de violência. A violência para com os idosos é efectivamente provocada no seio familiar e por cuidadores.

A Dra. Claudia Neves, especialista em medicina Geral e Familiar apresenta os seguintes tipos de violência contra os idosos: "... "
  • Violência física: Qualquer forma de agressão física, tais como golpes, queimaduras, fracturas, administração abusiva de medicamentos ou tóxicos.
  • Violênicia psicológica: Situações que podem resultar em lesão psicológica, como manipulação, intimidação, ameaças, humilhações, chantagem afectiva, desprezo ou privação do poder de decisão.
  • Negligência: É a não satisfação das necessidades básicas, tais como  negação de alimentação, negação de cuidados de higiene, negação da habitação, segurança e tratamentos médicos. 
  •  Abuso emocional ou abandono: Passa  pela negação de afecto, falta de comunicação e isolamento.
  • Abuso financeiro: É o impedimento do uso e controlo do seu dinheiro, exploração financeira e económica. 
  • Violência sexual: Qualquer tipo de actividade sexual não consentida. 
Neves (2010) fornece ainda várias pistas para facilitar a identificação da violência no idoso: " diferenças na explicação dada pela vítima e pelo suposto abusador; explicação não aceitável para uma lesão; dados laboratoriais não compatíveis com a história relatada; hematomas, fracturas ou feridas não explicadas; apatia depressão ou agravamento de demência; lesões em vários estágios de cura; fraca adesão ao tratamento médico instituído; más condições de  higiene oral e pessoal; perda de peso, má nutrição". 

Também é extremamente importante saber distinguir violência e fantasias desenvolvidas por idosos para chamar a atenção. Em ambos os casos cabe ao gerontólogo e aos cuidadores solucionar o problema. 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Visualização do longevidade da população global nos últimos 200 anos.

A publicação deste vídeo é um contributo especial da Teresa Rabiais. A ela o meu agradecimento especial para participação desta semana. 


sexta-feira, 20 de maio de 2011

O regime alimentar ideal para um envelhecimento saudável

Muitos têm procurado nos suplementos alimentares da dietéticas uma forma de combater os efeitos naturais do envelhecimento. Recorrem-se a dietas que na maior parte das vezes causam mais danos para o corpo que benefícios. Embora nunca é tarde para cuidar da saúde, é extremamente importante salientar que segundo Brize e Vallier (1985), e Marujo (2009) " o envelhecimento começa [...] imediatamente após a fecundação do óvulo". Assim entende-se que o processo do envelhecimento é contínuo ao longo da vida sendo também uma característica do ser vivo.
Seguindo este ponto de vista a melhor forma de obter benefícios de um regime alimentar ideal para um envelhecimento saudável é começar o quanto antes. É por esse motivo que a Gerontologia Social não tem universo de acção voltado para todas as idades. 

De todas as literaturas que lí sobre o tema em questão, apreciei o comentário do Dr. Alberto Pereira da Silva, em seu guia de "Estudos para uma melhor saúde global". 

"Para ter uma bonita tez é necessário um regime alimentar variado e rico em frutas e legumes. Na medida do possível, estes devem ser consumidos crus, ralados ou cortados finos. Para as saladas deve preferir-se o azeite, o sumo de limão e as ervas aromáticas vulgares. 

Uma alimentação isenta de chocolate, café, chá, condimentos, gorduras animais e álcool, favorece o aspecto de um uma pele saudável, na medida em que o fígado desempenha as suas funções desintoxicantes sem a sobrecarga que aquelas substâncias lhe acarretariam, se fossem consumidas. A moderação [...] dos produtos feculentos (grão, feijão, lentilhas, por exemplo) de amidos e a redução de açucares, também é aconselhada. Tudo isso, é claro, num ambiente de boa disposição emocional e física". 



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Actividade Física para Idosos

Um dos maiores desafios a nível da saúde física que a maior parte dos idosos reclamam estão relacionadas com as dores musculares, a perda da elasticidade e o esgotamento físico. Estas debilidades são relevantes para gerontologia, pois podem ser verdadeiros obstáculos para o desenvolvimento do bem-estar biopsicossocial. 

Como forma preventiva e mesmo curativa, a Prof. Dra. Marta Botelho desenvolveu a orientação de actividade física que se segue. Deve-se ter em consideração que a melhor forma de praticar uma actividade física para evitar lesões e corrigir a postura é sempre com a presença de um técnico qualificado.


1) Posição: Sentado na cadeira, tronco baixo a 90 graus, braços soltos e ao longo do corpo, segurando um peso de 1 kg em cada mão.
Movimento: Elevar os braços estendidos lateralmente em 2 tempos e voltar à posição inicial. Repetir o exercício 8 vezes.
2) Posição: Em pé, pernas semi-flexionadas e segurando o bastão atrás das costas.
Movimento: Elevar os braços acima da cabeça em dois tempos e voltar em dois tempos. Repetir o exercício 8 vezes.
3) Posição: Em pé, pernas semiflexionadas e segurando um peso em cada mão. Mãos em direcção ao peito e cotovelos abertos para fora.
Movimento: Abrir lateralmente o antebraço segurando o peso e forçando os braços para trás em dois tempos e voltando à posição inicial em dois tempos. Repetir o exercício 8 vezes.
4) Posição: Em pé, pernas semiflexionadas, com o bastão entre os braços, apoiado pelos cotovelos atrás das costas, na altura da cintura.
Movimento: Flexionar o tronco a 90 graus à frente em 2 tempos, e voltar à posição inicial em 2 tempos. Repetir o exercício 8 vezes.

Marta Botelho
Professora de Educação Física

terça-feira, 17 de maio de 2011

A influência na música no envelhecimento

(Direitos de autor: APP- Associação Portuguesa de Psicogerontologia)

Os idosos que têm um maior nível de experiência musical apresentaram maiores pontuações em testes cognitivos, aponta um estudo publicado na edição online da revista “Neuropsychology”, sugerindo que as aulas de música podem ajudar a manter o cérebro saudável à medida que as pessoas envelhecem.

Investigadores do Centro Médico da Universidade de Kansas, EUA, separaram 70 adultos saudáveis, com idades entre os 60 e os 83 anos, em três grupos, de acordo com a sua experiência e formação musical (sem conhecimento musical, entre um a nove anos de aulas de música e pelo menos dez anos de estudos musicais). Mais de metade dos que tinham experiência musical estudou piano, cerca de um quarto tocava instrumentos de sopro, como a flauta ou o clarinete, e os restantes tocavam instrumentos de corda, percussão ou metais. 

Os participantes, que tinham níveis semelhantes de forma física e educação, e que não sofriam da doença de Alzheimer, foram submetidos a vários testes cognitivos. Aqueles que tinham maior experiência musical obtiveram melhores resultados nos testes de acuidade mental, seguidos dos que tinham menos estudos musicais e, finalmente, os que nunca tiveram aulas de música. Comparados com os que não eram músicos, as pessoas que tinham um alto nível de experiência musical obtiveram resultados muito superiores em testes cognitivos, nomeadamente nos que estavam relacionados com a memória visual espacial, com nomear objectos e com a capacidade do cérebro de se adaptar a informação nova (flexibilidade cognitiva).

Os benefícios da educação musical ficaram evidentes, mesmo naqueles que já não tocavam um instrumento, assinalaram os investigadores. De acordo com a nota de imprensa, a cientista Brenda Hanna-Pladdy, membro da equipa de estudo, “a actividade musical ao longo da vida poderá servir como um exercício cognitivo desafiador, fazendo com que o cérebro fique em melhor forma e seja mais capaz de acomodar os desafios do envelhecimento”. A investigadora acrescentou, explicando que “dado o estudo de um instrumento requerer anos de prática e de aprendizagem, talvez se criem ligações alternativas no cérebro que possam compensar o declínio cognitivo quando envelhecemos”. in ALERT Life Sciences Computing, S.A. 13.05.2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Envelhecer activo

Uma das formas de desenvolver um envelhecimento bem-sucedido é fomentar meios para manter-se activo durante todas as etapas da vida. Contudo para aqueles que não tiveram uma vida dinâmica podem ainda promover o seu envelhecimento saudável. Nunca é tarde para começar.

Conheça a si próprio.Como seres humanos somos tendenciosos a valorizar os talentos dos outros e menosprezar os nossos. O conhecimento dos nossos talentos é fundamental para o desenvolvimento da auto-estima. É preciso ter uma definição das nossas capacidade e realçar o que gostamos de fazer. Por exemplo: cozinhar, nadar, pintar, jogar futebol, tecer, pintar, entre outros. Nem todos sabem pintar uma tela, ou preparar um jantar espectacular, mas cada um tem um talento especial. Ford (2004) sugere que façamos uma lista daquilo que mais apreciamos fazer e daquilo que gostamos menos. O mesmo autor afirma que aqueles que têm dificuldades de descobrir aquilo que mais gosta de fazer precisa de encontrar consigo próprio.

Depois de identificar os seus dotes naturais, associe-se com outros indivíduos que apreciam o mesmo tipo de hobby. Desenvolva o seu conhecimento técnico com o apoio de literatura para aprimorar o seu conhecimento e empenhe-se na actividade que escolheu. Não faça dessa actividade um passa-tempo, utilize-a como um projecto de vida. Dê assas à sua imaginação. Pense em grande. Abra os horizontes à sua volta, abra o seu coração para a novas experiências, crie laços e mantenha a fidelidade ao tempo estabelecido para exercer a sua actividade. Como escreveu Fernando Pessoa: "sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura".



 


segunda-feira, 9 de maio de 2011

A casa de banho ideal para os idosos

Como é do conhecimento comum, são inúmeros os acidentes que ocorrem com idosos no ambiente familiar. Dentre os locais de maior risco encontram-se as casas de banho devido ao facto de conjulgar pavimentos lisos, água, tapetes e electricidade.

Em seu livro Ergonomia no dia-a-dia, Rebelo (2004) apresente uma série de recomentadações especiais das quais passo a citar: 
  • um espaço livre de 2200mm por 2200mm, para que o utilizadores de cadeiras de rodas possam ter acesso por ambos os lados da sanita.
  • de preferência a porta deve ser de correr, com 800mm de largura, de modo a facilitar a sua abertura por pessoas que utilizem cadeiras de rodas. 
  • no caso de uma porta  normal, ela deve também ter uma largura mínima de 800mm, devendo abrir pelo menos a 90 graus para o exterior.
  • a altura dos lavatórios deve situar-se entre os 700mm e  os 800 mm da superfície do pavimento, devendo estar apoiados sobre poleiras. 
  • o pavimento deve ter bom escoamento de água e ser antiderrapante para evitar quedas. No caso de utilizar tapetes, escolha aqueles que sejam anti-derrapantes.
  • de modo a facilitar a manipulação, em particular por pessoas com dificuldades em agarrar, as torneiras devem ter um sistema de alavanca para abertura e fecho da água.
  • barras em tubo, montadas à volta da zona do chuveiro e situadas a 700mm do chão para apoio bilateral dos utilizadores.
  • o chuveiro deve ter uma cabeça movível em todas as direcções de modo a permitir do direcionamento do fluxo de água de acordo com as necessidades das pessoas.
  • utilização de apoios para elevação das sanitas com variação entre os 120mm e 170mm para proporcionar uma postura sentada mais elevada.
  • no tecto, não use lâmpadas suspensas por cabos. Estas devem estar fixas e isoladas da humidade.
  • as máquinas de barbear, os sacadores de cabelo e rádios não são à prova de água, devendo por isso estar posicionados o mais longe possível das torneiras e lavatórios.
  • tenha um telefone no espaço para banhos num local acessível, que possa utilizar em caso de emergência.  

domingo, 8 de maio de 2011

Um sumo de beterraba por dia

Embora não seja muito apreciada, a beterraba é uma raíz comestível rica em sais minerais, proteínas, vitaminas e açúcares. Contudo é poble em calorias. Muitos estudos do passado provaram que a beterraba é excelente no combate à anemia.

De acordo com a Revista Vida Natural e Equilíbrio o sumo de beterraba tem as seguintes características:
  • Tônico natural, refrescante e diurético; 
  • Aumenta a resistência física por até 16% de tempo a mais, pois o nitrato ajuda a reduzir o consumo de oxigênio, diminuindo a exaustão; 
  • Regulariza a pressão arterial; 
  • Fortalece os músculos do coração, devido o seu alto teor de sais de potássio e manganês;
  • Combate o reumatismo e a artrite.

 Para além dos benefícios apresentados, a Revista Sport Live nº 106 Edição 2011 informa que " um estudo concluiu que beber sumo de beterraba pode aumentar o fluxo sanguíneo no cérebro das pessoas mais velhas, reduzindo o risco de sofrer de doenças neurodegenerativas como demência, perda de memória, Alzheimer, etc. Já há alguns anos qe se conhece o seu efeito estimulador sobre as células, sendo conhecida entre os desportistas como a EPO vegetal devido à sua capacidade para aumentar a oxigenação e a regeneração celular. Esta é a primeira vez que se associa o consumo da beterraba à prevenção de doenças neurodegenerativas". 
 
O sumo de beterraba pode se tornar mais saboroso quando se adicona sumo de limão ou uma maçã. Contudo é preciso ter uma atenção especial com as pessoas diabéticas. Antes de começar a fazer uso do sumo de beterraba consulte o seu médico.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A doença no paradigma gerontológico

Ao contrário da geriatria, a gerontologia desenvolve competências sociais para entender os efeitos da doença na sociedade com o objectivo de apresentar aos consulentes um novo estilo de vida a fim de promover o bem-estar psicossomático. No âmbito da doença, esta pode ser encarada sob um prisma positivo, de caracter biopsicossocial, como passo a expor:

Biológico: A doença é um caminho utilizado pelo corpo para chamar a atenção que algo vai mal. É necessário fazer mudanças. Isto não pode ser encarado meramente como uma forma exotérica de abordar a doença mas como diz o provérbio pupular, "nós colhemos aquilo que semeamos".

Social: O facto de estar doente poderá permitir que a investigação sobre a patologia venha trazer a solução do problema, culminando na cura e ou prevenção para outras pessoas num futuro próximo ou a longo prazo.

Psicológico: A doença é apresentada como mecanismo que leva o indíduo a desenvolver competências resilientes, crescendo assim com a nova experiência.

domingo, 1 de maio de 2011

A saúde dos cuidadores familiares

Como salientou Paúl, Fonseca et al (2005) “cuidar faz parte da história, experiência e valores da família”, e diversos estudos apontam para a necessidade dos idosos permanecerem no seio familiar para que possam usufruir a sua velhice com melhor qualidade de vida em todos os seus aspectos. Esta posição não deve ser tomada como medida padrão para todos os casos. 

White (2005) é enfática ao afirma que “o quanto possível, façam que aqueles cuja cabeça está alvejando e cujos passos trôpegos indicam que se vão avizinhando a sepultura permaneçam entre amigos e relações familiares”. (itálico acrescentado). Nota-se que a autora salienta uma brecha de adaptação. Contudo não sem o mesmo grau de importância é também a promoção da saúde física, mental e social do cuidador familiar. 

Figueiredo (2007) aponta uma lista de carências referentes aos cuidadores familiares tais como: “necessidade de apoio financeiro, ajudas técnicas, necessidade de tempo livre, necessidade de formação e informação”.  

Figueiredo (2007) afirma a necessidade, por vezes, o cuidador familiar ser “dispensado das tarefas e responsabilidades, ficando com tempo para si”. Isto inclui tempo livre que pode ser entendido como horas, dias ou mesmo semanas. Tempo, segundo o qual o cuidador poderá fazer a sua higiene mental e tratar de assuntos pertinentes à sua própria vida ou mesmo desfrutar de férias.  Somente assim estará apto a desempenhar as suas funções com o devido carinho e respeito que é fundamental para quem dar e quem recebe cuidados. 



domingo, 24 de abril de 2011

Como utilizar Aspartame e outros adoçantes

Devido ao estilo de vida adoptado de muitos, cada vez mais surgem pessoas mais jovens com diabetes. Como é do conhecimento comum, a diabetes não mata, mas implica uma mudança no regime alimentar para melhorar a qualidade de vida e travar os efeitos da patologia. Não obstante o abuso de adoçantes tem proliferado de tal forma tanto por indivíduos diabéticos como por aqueles que fazem as suas próprias regras de dieta. A utilização do aspartame também é comum em muitos produtos dietéticos.  

Muitos investigadores fazem uma ligação entre a utilização de aspartame com proliferação do cancro. Esta foi uma das conclusões do professor John Olney,  publicado em 1996 no Journal of Neuropathology and Experimental Neurology. Segundo esta investigação desde o aparecimento do aspartame no mercado americano em 1981 houve um aumento considerável da incidência de tumores cerebrais nos utilizadores.  

Contudo, a nutricionista Dra Ester Herta de Castro propões as seguintes indicações para a utilização segura do aspartame que pode ser utilizada para outros adoçantes: 

"Limite diário seguro de ingestão de aspartame: 40 mg por kg de peso. Complementando a resposta gostaria de acrescentar o seguinte: O aspartame perde a doçura quando é submetido a altas temperaturas. Por esse motivo, sugere-se que seja utilizado em alimentos e líquidos após a retirada do fogo. É contra-indicado para portadores de Fenilcetonuria, uma anomalia que é diagnosticada geralmente no nascimento (pelo teste do pezinho). Pela mesma razão, também se desaconselha o uso por mulheres grávidas".



QUANTIDADE DE ASPARTAME
Adoçantes
Refrigerantes diet/light
Sucos em pó
LIQUIDO
1 gota = 5mg
EM PÓ
1 sache = 50 mg
Cada 100 ml = 12 mg
Em 100 ml do suco pronto 28 mg



quinta-feira, 21 de abril de 2011

85 anos em pleno vigor

Hoje, dia 21 de abril, a soberana da Inglaterra comemora os seus 85 anos de vida. Como "proto" gerontólogo não posso deixar esta data passar em branco. Em seus fabulosos 85 anos de vida, a rainha da Inglaterra exibe uma saúde invejável, e uma jovialidade incrível devido ao seu estilo de vida saudável. Em contraste temos a sua irmã mais jovem com saúde precária que faleceu alguns anos atrás. Não é só ter "bom genes" é preciso fazer escolhas certas! 
Aos 85 anos sua majestade conduz o seu jeep e faz longas caminhadas pelas montanhas da Escócia, para além das suas actividades políticas e sociais. 
Fica para todos nós um exemplo. Durante o processo do envelhecimento que ocorre ao longo da vida, vamos fazendo as nossas escolhas e o resultado é "transformar ou deformar" com o tempo.